Jul • Ago • Set 2013 |
medicina nuclear em revista
24
na prática
Um ponto-chave para a segurança do
transporte de produtos radiofárma-
cos é a embalagem do material. “A
matéria-prima escolhida deve ser
cada vez mais resistente aos impac-
tos, quedas e deslocamentos perti-
nentes ao processo. Atualmente o
maior desafio durante um transporte
terrestre são as condições nas vias,
que dificultam ainda mais o trabalho
das transportadoras”, esclarece a
gerente comercial da MMComex,
especializada na produção desse tipo
de embalagem, Giovana Gallo. Ela
explica ainda que as embalagens
passam por testes em diversas situa-
ções, como queda livre, jatos d’água
e penetração, de acordo com deter-
minação da CNEN. O transporte ter-
restre também é muito utilizado no
País para deslocamento de radiofár-
macos. Em casos de congestiona-
mentos ou atrasos pelas mais varia-
das causas, não há muitas alternati-
vas. “São perdidos os produtos de
meia-vida curta ou ultracurta. No
melhor dos casos, quando há atraso,
chega ao hospital material com
menos atividade (radioatividade), o
que acarretará emmenos exames
possíveis de serem realizados”, diz a
diretora da transportadora REM, Ana
Célia Sobreira. A profissional lembra
também que os motoristas e demais
profissionais envolvidos nesse trans-
porte são treinados para casos de
acidentes e para entrar em contato
com as autoridades competentes,
caso seja necessário.
EMBALAGENS E
TRANSPORTE
TERRESTRE
invasivos, que fazemuso de materiais
radioativos. As chamadas ‘máquinas
PET’ estão se espalhando por hospitais e
clínicas em todo o território nacional.”
O aumento do número de exames
comuso de materiais radioativosfez tam-
bém comque aumentasse a demanda por
aceleradores Ciclotron, o que representa
umgrande volume de remessas. “Como a
meia-vida desses materiais é curta, o
transporte aéreo é a única opção para que
eles cheguematé cidades afastadas dos
centros produtores”, esclarece Bruno.
De acordo com ele, do ponto de vista
da segurança, as empresas TAM e
Avianca têm realizado um bom trabalho.
No entanto, ainda há desinformação
sobre o assunto. Os pilotos, por exemplo,
têm autonomia total nesse sentido.
Objetivamente, se o comandante da aero-
nave se posicionar contrariamente ao
transporte de materiais radioativos, não
há nenhuma legislação que o obrigue a
fazê-lo. “As recusas e demoras no trans-
porte de materiais radioativos provocam
prejuízos significativos, aos hospitais,
médicos mas, principalmente, aos
pacientes.” Trata-se da “percepção equi-
vocada de risco”. De acordo com o diri-
gente da Anac, o desconhecimento da
regulamentação por parte de alguns pro-
fissionais é o motivo para recusas e atra-
sos cruciais por parte de algumas empre-
sas transportadoras, não apenas aéreas.
Em 2010, pensando namaior divulga-
ção de informações sobre o assunto, foi
criado o Comitê de Sustentabilidade do
Transporte. Nele, estão inseridos produ-
tores de radiofármacos, transportadores,
usuários e agências reguladoras (nesse
caso, Anac e ANTT). ACNEN oferece
estrutura e apoio técnico para o anda-
mento dos trabalhos do grupo. “Temos
conseguido importantes avanços, princi-
palmente na desmitificação dos riscos do
transporte e quanto à necessidade de um
sistema sustentável para o transporte dos
radiofármacos”, lembra Bruno. Esse
comitê funciona também conforme reco-
mendação da AIEA.
A partir desse trabalho, foi montada
uma rede de comunicação entre CNEN,
Anac, ANTT, Ibama, empresas e agên-
cias estaduais e municipais. O objetivo é
esclarecer dúvidas e evitar recusas de
transporte. Procuradas pela reporta-
gem, a Gol esclareceu que não há novi-
dades com relação a esse tipo de trans-
porte, enquanto a Avianca não se pro-
nunciou sobre o assunto.
Proteção para transporte
de radiofármacos passa por
diversos testes
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