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medicina nuclear em revista
| Jan • Fev • Mar 2014
15
o especial ista
À frente do projeto do
Reator Multipropósito
Brasileiro (RMB),
José Augusto Perrotta
alerta sobre a previsão
de uma crise mundial
no fornecimento de
molibdênio-99 em 2016
por
SAULO LUZ
Na sede do Instituto de Pesquisas
Energéticas e Nucleares (Ipen), den-
tro da Universidade de São Paulo
(USP), uma certa maquete concentra
a esperança de milhares de médicos
e pacientes brasileiros. Trata-se do
complexo tecnológico que abrigará o
Reator Multipropósito Brasileiro
(RMB), previsto para ser construído
até 2018 na cidade de Iperó, interior
de São Paulo. O reator deve tornar o
Brasil autossuficiente na produção
de radioisótopos.
O especialista que coordena o tra-
balho para tornar essa maquete uma
realidade, José Augusto Perrotta,
coordenador técnico do RMB, falou
para a Medicina Nuclear em revista
sobre o estágio atual do projeto.
Graduado em fortificação e constru-
ção pelo Instituto Militar de
Engenharia (1977), Perrotta temmes-
trado (1980) em engenharia nuclear
pela mesma instituição e doutorado
em tecnologia nuclear pela
Universidade de São Paulo (1999). O
tecnologista sênior da Comissão
Nacional de Energia Nuclear
(CNEN), que também é inspetor de
salvaguardas da Agência Brasileiro-
-Argentina de Contabilidade e
Controle de Materiais Nucleares
(ABACC), esclareceu ainda as dúvi-
das levantadas nas consultas públi-
cas sobre o tema e alertou para o ris-
co de cortes no orçamento do projeto
- no momento, o fator que mais
ameaça o cronograma de entrega do
empreendimento. Por fim, confir-
mou os temores de que ocorra escas-
sez de radioisótopos – em especial o
molibdênio-99 – a partir de 2016.
Confira a seguir:
Como está o processo de obtenção das
licenças necessárias ao RMB?
Oque acontece atualmente é o seguin-
te: para licenciar umreator nuclear, é
preciso tambémconseguir a licença
ambiental do local e demonstrar a
segurança do reator. Para saber se esse
sistema causará qualquer dano
ambiental, é necessário obter uma
licença comoInstitutoBrasileiro do
MeioAmbiente e dosRecursos
NaturaisRenováveis (Ibama). Já para
comprovar a segurança do reator,
deve-se ter aprovação na CNEN.
Nesse processo de obtenção de licen-
ças, é preciso garantir a segurança do
local onde será colocado o reator.
Alémdisso, deve-se mostrar que o
projeto da instalação onde ficará o
empreendimento será feito de manei-
ra que se evite qualquer problema que
cause dano à própria instalação ou ao
meio ambiente. Enfim, é o que esta-
mos fazendo agora, aomesmo tempo
emque buscamos a aprovação na
CNEN e no Ibama.
Como o senhor avalia o resultado
das audiências públicas realizadas
no final de 2013?
O processo de aprovação no Ibama
exige a realização de audiências públi-
cas, emque as comunidades do entor-
no da região onde ficará o reator são
esclarecidas e questionadas sobre a
percepção que têmdo projeto. Nesse
processo, é precisomostrar que todo o
plano para situações de emergência
está dentro do sítio, porque a quanti-
dade de material no RMB é muito
menor do que nas usinas nucleares. Já
preparamos e enviamos toda a docu-
mentação, que foi aceita pelo Ibama.
Até agora, não recebemos um ‘ok’ do
órgão e estamos aguardando.
busca da
ciência