Jan • Fev • Mar 2014 |
medicina nuclear em revista
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o especial ista
Pôde-se perceber, durante as
audiências, grande desinformação
por parte da população sobre o que
é um reator e sobre energia nuclear
em si. Isso pode influenciar negati-
vamente a sequência do projeto?
Nas audiências públicas, o que sem-
pre ocorre é que a palavra nuclear
assusta, por conta da falta de infor-
mação. E temos trabalhado para
esclarecer ao público que um reator
de pesquisa possui magnitude muito
inferior e diferente do que um reator
para gerar energia. Angra 2, por
exemplo, utiliza 105 mil quilos de urâ-
nio e gera 4mil megawatts térmicos.
Já o RMB utiliza 35 quilos de urânio e
libera apenas 30megawatts. Émuito
diferente. Alémdisso, existemalgu-
mas diferenças técnicas, como o fato
de que o reator de pesquisa só retira
ciclo de nêutrons e mantémuma tem-
peraturamuitomais baixa do que em
um reator de energia.
Existe a possibilidade de atraso,
ou a previsão de entrada em
funcionamento do RMB para
2018 ainda é possível?
Existe a possibilidade de atraso, mas
não acredito que a consulta pública
atrapalhe o cronograma do RMB. O
importante é que os órgãos técnicos
emitam os certificados técnicos. E
para que isso aconteça, uma das
ações necessárias é a conscientização
da população. A previsão é de que o
RMB entre em funcionamento em
2018. O problema real que pode atra-
palhar ou atrasar são as questões
orçamentárias. Fizemos todos os
procedimentos corretamente.
Entramos no Plano Plurianual (PPA)
José Augusto Perrotta fala sobre o
RMB durante CBR 2013, em CUritiba (PR)
do Governo, com o Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão, e
fomos aprovados. Apesar de termos
orçamento aprovado de 500 milhões
de dólares anuais (mais de R$ 1
bilhão), em um período de seis anos,
hoje não temos a garantia de sua exe-
cução. Tecnicamente está tudo
demonstrado e correto.
QualoatualestágiodoprojetodoRMB?
Até a metade deste ano, devemos
finalizar todo o projeto básico das
instalações em Iperó, no interior de
SP. Temos uma parte do terreno de
12 milhões de metros quadrados já
cedida - além do reator, o laborató-
rio de fusão nuclear será instalado
lá também. Já podemos imaginar
essa área, em alguns anos, com o
Ipen lá dentro, e se tornando o
maior centro de pesquisas nuclea-
res do Brasil, com seus acelerado-
res de partículas e lasers. No futu-
ro, o local terá cinco ou 10 milhões
de procedimentos. Vamos conti-
nuar o trabalho feito atualmente,
mas em outro patamar. É um inves-
timento que dará um retorno muito
alto, com a possibilidade de aumen-
to de pesquisa e inovação. Como
tecnologia, a pesquisa nuclear é
importantíssima para o Brasil.
Qual a importância do reator para
a produção de radioisótopos?
Ele é essencial. Na natureza, os
radioisótopos são encontrados ape-
nas em pouquíssimos elementos
radioativos, como o urânio. A opção
encontrada é produzi-los artificial-
mente a partir de reações nucleares.
Uma forma de fazer isso é por meio
dos aceleradores nucleares que pro-
duzem reações nucleares por íons.
O radioisótopo flúor-18, por exemplo,
é produzido pelos aceleradores e usa-
do em exames de PET/CT. Mas exis-
© rodrigo moraes • rs press