Página 17 - Medicina Nuclear em revista 05

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medicina nuclear em revista
| Jan • Fev • Mar 2014
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o especial ista
da ordem de 4% do total mundial,
mas nosso consumo per capita é
muito menor. Por isso, provavel-
mente teremos um excedente de
produção e poderemos exportar. No
entanto, nosso objetivo não é comer-
cial, mas sim atender à demanda
interna e expandir a produção.
Hoje, sem a autossuficiência, como
o Brasil consegue essas substâncias
essenciais à medicina nuclear?
Hoje temos no Brasil quatro reatores
nucleares para pesquisas. Dois estão
aqui no Ipen, sendo que o maior pro-
duz apenas 40% do iodo-131 consu-
mido no País – além de samário-153
também. Por isso, precisamos
importar grande quantidade de
radioisótopos. Atualmente importa-
mos de três países: Canadá, África
do Sul e Argentina. Este último ain-
da tem uma produção pequena, mas
já trabalha na construção de um
reator maior, e já temos um acordo
com eles para o futuro.
O atual reator IEA-R1 do Ipen não
tem capacidade para produzir o
molibdênio-99? Hoje a CNEN acaba
importando todo esse elemento
químico. O RMB terá capacidade
para produzi-lo?
Atualmente, importamos o
molibdênio-99 de reatores no exte-
rior. Antes era só do Canadá, mas
após 2009 - quando a paralisação de
um reator canadense ­(juntamente
com a interrupção de funcionamen-
to de reatores na Bélgica e na
Holanda) gerou uma crise mundial
no fornecimento desse radioisótopo
- passamos a importar também da
Vai faltar o
Molibdênio-99.
Está prevista
uma crise
mundial no
fornecimento
desse
radioisótopo,
a partir
de 2016
África do Sul e Argentina. No Brasil,
cerca de dois milhões de pessoas por
ano utilizam esse elemento. Por isso,
a produção do molibdênio-99 é um
dos principais objetivos do RMB.
Em novembro de 2013, os médicos
nucleares receberam com alerta a
notícia da possibilidade da falta do
molibdênio-99 em um determinado
período. Com o encerramento das
atividades de alguns desses reato-
res já anunciado para os próximos
anos, o senhor acredita que possa
haver interrupção no fornecimen-
todesse material até 2018?
Sim. Vai faltar o molibdênio-99.
Está prevista uma crise mundial no
fornecimento desse radioisótopo, a
partir de 2016. No mundo existem
cerca de 800 reatores nucleares.
Destes, apenas 300 estariam em
operação, sendo que a maioria foi
construída nas décadas de 1950 e
1960. Esse é um sério problema. Os
grandes reatores que produzem
radioisótopos são antigos e estão
no final da vida útil. Já está previs-
to que os principais reatores, como
o canadense, irão parar em 2016.
Inclusive, o Brasil já tem participa-
do de grupos internacionais, como
o da Agência de Energia Nuclear
da Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico, com
o objetivo de se preparar para essa
escassez [Leia mais sobre o assunto
na seção Na Prática]. A própria
Argentina projeta um grande rea-
tor em uma enorme instalação
para aumentar sua produção e for-
necimento ao mercado internacio-
nal também.
temalguns radioisótopos que o acele-
rador não pode produzir. Aí entra a
importância dos reatores nucleares,
que produzem reações a partir dos
nêutrons. Para fazer esses radioisóto-
pos, é preciso um reator ou acelera-
dor, e cada equipamento produz um
tipo específico de radioisótopo.
Com o RMB, o Brasil conseguirá se
tornar autossuficiente na produção
de radioisótopos e radiofármacos?
Será possível também exportar?
Com o RMB seremos autossuficien-
tes e teremos autonomia em tudo.
Hoje já temos a autossuficiência na
produção de radiofármacos, mas
para produzi-los precisamos de
radioisótopos – e não temos produ-
ção suficiente destes. Além disso, os
reatores do mundo estão ficando
velhos - alguns irão parar e faltará
material. Uma forma de manter a
medicina operacional é produzir
esses insumos. Temos um consumo