Página 20 - Medicina Nuclear em revista 05

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Jan • Fev • Mar 2014 |
medicina nuclear em revista
20
na prática
© rs press • divulgação
E
m 2009, amedicina nuclear nacional precisou
se adaptar a uma crise no abastecimento do
molibdênio-99. Isso por conta da paralisação
do reator canadense, o principal fornecedor do
País, juntamente comuma interrupção no
funcionamento de reatores na Bélgica e
Holanda por dificuldades locais. Como solu-
ção, para que milhares de brasileiros não fos-
semafetados, o País buscou o fornecimento do
radioisótopo na Argentina e na África do Sul,
que continuam fornecendo omaterial até hoje.
Dentro dos próximos anos, esse episódio pode
voltar a acontecer, pois em 2016 está previsto o
desligamento do reator do Canadá.
Atualmente, quatro instituições ligadas à
Comissão Nacional de Energia Nuclear
(CNEN) pesquisam, desenvolvem e produ-
zem radiofármacos. São elas: Instituto de
Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen),
em São Paulo (SP); Instituto de Engenharia
Nuclear (IEN), no Rio de Janeiro (RJ);
Centro de Desenvolvimento da Tecnologia
Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte (MG) e
Centro Regional de Ciências Nucleares do
Nordeste (CRCN-NE), em Recife (PE).
Porém, elas não produzem o molibdênio-99
em escala, situação que coloca o Brasil na
condição de importador do insumo, tornan-
do-o vulnerável a qualquer queda de abaste-
cimento pelos fornecedores internacionais.
“A partir do molibdênio-99 importado, a
CNEN, por meio do Ipen, fabrica, comerciali-
za e entrega geradores de
99m
Tc para mais de
400 centros de radiodiagnóstico instalados
em várias regiões do País, que propiciam a
realização de aproximadamente dois milhões
de procedimentos de medicina nuclear por
ano”, explica o diretor de Pesquisa e
Desenvolvimento da CNEN, Isaac José
Obadia. O Brasil utiliza aproximadamente
450 Curies/semana, importando do Canadá
(40%), África do Sul (30%) e Argentina (30%).
Sendo assim, qualquer redução no forne-
cimento de molibdênio-99 terá como conse-
quência imediata a diminuição do número
de procedimentos de medicina nuclear reali-
zados no País, uma vez que, devido às suas
características de decaimento radioativo,
não é possível fazer estoque do material.
“Essa situação seria extremamente prejudi-
cial à medicina nuclear brasileira, que ainda
precisa expandir suas atividades para muitas
regiões que ainda não dispõem da tecnologia,
bem como intensificá-las”, afirma Obadia.
A partir do Molibdênio-99 importado,
a CNEN fabrica, comercializa e entrega
geradores de
99m
Tc para mais de 400
centros de radiodiagnóstico, que propi-
ciam a realização de aproximadamente
dois milhões de procedimentos de
medicina nuclear por ano
Isaac José Obadia,
diretor de pesquisa
e desenvolvimento (DPD) da CNEN