Página 23 - Medicina Nuclear em revista 05

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medicina nuclear em revista
| Jan • Fev • Mar 2014
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na prática
bustíveis nucleares e de materiais e
pesquisas com feixes de nêutrons
em várias áreas do conhecimento”,
conta Obadia.
Para o presidente da SBMN,
Celso Darío Ramos, ter um reator
nacional proporcionaria um respal-
do tecnológico muito grande para o
País. “O reator será um grande labo-
ratório de pesquisas em diversas
áreas, não apenas no setor nuclear.
Mas para que esse projeto seja pos-
sível, o Governo precisa investir em
sua construção. Sem contar que,
além da produção própria, podere-
mos contar com a possibilidade de
exportação”, relata.
Em junho de 2013, a CNEN orga-
nizou em sua sede, no Rio de Janeiro,
o workshop EstratégiaNacional para
Garantir Fornecimento demolibdênio-99
no País. Participaram do evento
órgãos públicos, associações de clas-
se, financiadores e usuários dos ser-
viços de saúde ligados aos radiofár-
macos, para discutir soluções e criar
uma estratégia nacional para enfren-
tar uma possível crise de forneci-
mento do material. “O objetivo do
workshop foi compartilhar, com
todos os segmentos nacionais envol-
vidos, o cenário mundial previsto
para o mercado de produção e forne-
cimento de molibdênio-99, chaman-
do a atenção para os possíveis impac-
tos na medicina nuclear do Brasil e
consequentemente para a população
brasileira, além de identificar ações a
serem tomadas de forma preventi-
va”, explica Obadia.
RMB e a tão sonhada
autossuficiência
O mercado mundial voltou a ser
atingido com uma nova crise em
2013, quando os países fornecedores
tiveram problemas e ficaram tempo-
rariamente inoperantes, de forma
simultânea. Tal situação demons-
trou que a solução para o problema
seria a autossuficiência brasileira na
produção emmolibdênio-99. Por
essa razão, há muito tempo discute-
se a implantação do Reator
Multipropósito Brasileiro (RMB),
que já teve avaliação positiva do
Instituto Brasileiro de Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) e passou por
três audiências públicas [Confira
entrevista com José Augusto Perrotta
nesta edição].
O empreendimento proporcio-
nará a nacionalização da produção
do molibdênio-99, garantindo auto-
nomia e soberania no fornecimento
do radiofármaco
99m
Tc e asseguran-
do o pleno atendimento da demanda
da população brasileira. De acordo
com Obadia, o empreendimento,
que deverá ser construído até 2018
em Iperó, interior de São Paulo, está
sendo projetado para produzir no
mínimo 1.000 Curies por semana, o
que representa mais de duas vezes a
quantidade atualmente importada.
“O RMB será uma instalação
nuclear com características e capaci-
dade para prestar os serviços de
produção de radioisótopos, além de
realizar testes de irradiação de com-
Desde 2009,
a OCDE reúne
líderes de todo o
mundo na área de
Medicina Nuclear