DIIálogo - Ed. 01

...HEAD N as últimas três décadas, o uso dos imu- nossupressores, em especial as tiopurinas (azatioprina e 6-mercaptopurina), vem sen- do indicado no tratamento das DII. Todavia, não observamos mudança da história natural da doen- ça, ou seja, mesmo com o aumento do uso desses medicamentos, as taxas de ressecção cirúrgica não se reduziram até a chegada dos agentes anti-TNF. Atualmente há evidência de que a azatioprina seja efetiva na manutenção da remissão clínica na doen- ça de Crohn, entretanto, não é efetiva na indução da remissão clínica. Devemos enfatizar que dois ensaios clínicos, ran- domizados, duplo cego e controlados compararam a azatioprina ao placebo no tratamento da doença de Crohn. Com base nos resultados desses estudos realizados em centros de referência europeus, pare- ce que a azatioprina não foi melhor que o placebo no controle clínico da doença de Crohn. A administração de azatioprina em pacientes recém-diagnosticados (seis meses de diagnóstico de DC) não foi mais efi- caz do que o manejo convencional no aumento do tempo de remissão clínica. Este foi o resultado do estudo francês conhecido por RAPID 6. Já o estudo espanhol AZTEC revelou que adultos com doença de Crohn, submetidos ao tratamento precoce com azatioprina, não tiveram benefício clí- nico (emissão sustentada sem corticosteroides) em relação ao placebo. Somado a tudo isso, no estudo SONIC, o uso da azatioprina em monoterapia apre- sentou resultados de eficácia inferior quando com- parada à monoterapia com infliximabe ou combote- rapia com infliximabe. Ou seja, em doentes com diagnóstico commenos de dois anos desde o início dos sintomas, o uso de terapia combinada infliximabe mais azatioprina foi superior a monoterapia com azatioprina. Frente a evidência científica robusta publicada pela literatu- ra atual, a azatioprina, emminha opinião, deveria ser usada como método alternativo (em comboterapia com infliximabe) e não como escolha (monoterapia) no manejo clínico das DII. Dr. Fábio Vieira Teixeira, coordenador da Comissão de Medicamentos e Biossimilares do GEDIIB e Diretor Médico da Clínica GastroSaúde (SP) Azatioprina no tratamento da DII: mera coadjuvante e não atriz principal O estudo espanhol AZTEC revelou que adultos com doença de Crohn, submetidos ao tratamento precoce com azatioprina, não tiveram benefício clínico (emissão sustentada sem corticosteroides) em relação ao placebo 25 Julho/Setembro 2020

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