Revista Plastiko's #223

A humanização em medicina começa com a percepção de que não existe uma relação médico e paciente adequada sem empatia por parte do médico. Isso quer dizer que o paciente nunca perceberá o profissional que o acompanha como médico verdadeiro se não perceber a espontaneidade da parceria FOTO: ARQUIVO PESSOAL 19 JAN-MAR 2020 PLASTIKO‘S DR. NÍVEO STEFFEN Como é possível adequar o conceito de humanização na medicina a diferentes especialidades, como a cirurgia plástica? Na cirurgia plástica repa- radora, a grande meta do paciente é voltar a ser normal dentro de seus padrões pes- soais. Já na cirurgia estética, a recuperação da autoestima mexe com a dignidade das pessoas e a sensibilidade médica é imprescindível para que objetivos sejam avaliados com honestidade e realismo. A inclusão da autoestima no conceito global de saúde foi um grande avanço dos últi- mos 20 anos, determinando que qualquer pessoa que se sinta diminuída em relação aos seus pares merece ajuda. O senhor já passou por al- guma experiência em que a humanização no atendimento foi essencial para o tratamento do paciente? Meu trabalho cirúrgico comoncologia torácica e transplante de pulmãome coloca permanentemente emexposição máximade exigência afetiva e emocional. Ser portador de uma doença estigmatizante como o câncer ou enfrentar uma lista de espera emque opaciente e sua família sabemque estão correndo contra o tempo traz uma carga de grande tensão, exigindodo grupo que convive comesses pacientes umperfeito equilíbrio emocional. Só consegue cuidar dos outros quemestiver bem consigomesmo. Essa é uma máxima inarredável. Tanto numa quanto emoutra situação, háumesforço inimaginável de preservaçãoda esperança. Conviver comessa situação, por outro lado, abre aportapara omais nobre dos sentimentos humanos: a gratidão. Assista à palestra A gratidão que qualifica , dada por J. J. Camargo durante o TEDx Unisinos Salon. JOSÉ J. CAMARGO

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