Revista Plastiko's #223
53 ABR-JUN 2019 PLASTIKO‘S Atualidades científicas efeito da lipoenxertia facial na qualidade da pele. A popu- lação do estudo deve consistir em um grupo padronizado com a classificação da Sociedade Americana de Anestesiologistas 1 e uma idade mínima de 35 anos, porque a elasticidade da pele é maior em pacientes mais jovens. Pacientes obesos, fumantes e aqueles com doenças sistêmicas e flutuações hormonais devem ser excluídos, pois todos esses fatores influenciam a qualidade do tecido adiposo e a qualidade da pele. Além disso, pacientes com intervenções faciais ante- riores nos últimos 12 meses devem ser excluídos devido aos efeitos tardios de intervenções anteriores. Pacientes com histó- rico conhecido de transtorno psiquiátrico também devem ser excluídos, pois isso pode influen- ciar a satisfação do paciente com o resultado. Até o momento, não há consenso sobre a qualidade do lipoaspirado colhido em dife- rentes locais (como abdômen, coxas) ou volumes de injeção e técnicas de processamento de lipoaspirados (como centrifu- gação, decantação). Assim, os autores propõem um padrão do local de colheita em todos os pacientes do estudo e que o lipoas- pirado seja centrifugado como descrito pela primeira vez por Coleman. Os volumes de injeção devem ser padronizados durante REFERÊNCIA: 1 van Dongen JA, Langeveld M, van de Lande LS, Harmsen MC, Stevens HP, van der Lei B. The Effects of Facial Lipografting on Skin Quality: A Systematic Review. 2 Plast Reconstr Surg. 2019 Nov;144(5):784e-797e. todo o estudo e deve haver no máximo 30 minutos entre a colheita e injeção para evitar a morte celular por isquemia. Finalmente, os autores propõem o uso do dispositivo Cuto- meter validado como desfecho primário, porque a perda de elas- ticidade da pele está fortemente correlacionada com o envelheci- mento. Os desfechos secundários devem incluir medidas relatadas pelo paciente (ou seja, satisfação medida com os questionários FACE-Q validados), análises fotográficas clínicas (por obser- vadores cegos e independentes) e complicações (número e tipo). Atualmente, a lipoen- xertia já provou sua eficácia para outras aplicações clínicas, como o aumento do volume mamário estético e/ou oncoló- gico e tratamento de cicatrizes pós-traumáticas e queimaduras. Em uma revisão sistemática sobre lipoenxertia para aumento estético da mama, Groen et al. mostraram altos volumes de retenção após a lipoenxertia, com seguimento em longo prazo (retenção de volume médio de 62,4%; variação de 44,7% a 82,6%; seguimento médio de 16,6 meses) e altas taxas de satisfação entre pacientes (92%) e cirurgiões (89%). Duas revisões sistemáticas sobre lipoenxertia e células estromais derivadas de tecido adiposo em feridas de queimaduramostraram que a lipoenxertia restaura signi- ficativamente o volume e melhora a aparência da cicatriz e a dor e o prurido relacionados a ela. Aparentemente, a gravidade do trauma cutâneo desempenha papel fundamental na eficácia do lipoenxerto ou das células estro- mais derivadas de tecido adiposo nos efeitos reparadores da pele ou da ferida. No caso de um dano menor (por exemplo, envelheci- mento da matriz extracelular em processos fisiológicos, como enve- lhecimento da pele), o lipoenxerto ou as células estromais derivadas de tecido adiposo não são ou dificilmente são capazes de remo- delar a matriz extracelular. No entanto, em caso de graves danos à pele, como processos patoló- gicos (por exemplo, queimaduras ou cicatrizes), o lipoenxerto ou as células estromais derivadas de tecido adiposo parecem ser alta- mente eficazes na remodelação da pele danificada. CONCLUSÃO Essa revisão sistemática demonstra uma falta de evidên- cias científicasdeque a lipoenxertia facial autóloga ou qualquer outra substância do tecido adiposo (fração vascular estromal celular e células estromais derivadas do tecidoadiposo)melhoreaqualidade normal da pele envelhecida, mas também demonstra que o procedi- mentopodeser consideradoseguro.
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