Revista Plastiko's #223
PLASTIKO‘S ABR-JUN 2019 52 Atualidades científicas ções na pigmentação que duraram mais de 12 meses. DISCUSSÃO Essa revisão sistemática demonstra que faltam evidên- cias substanciais de que o uso de lipoenxertia ou um componente do tecido adiposo (isto é, fração vascular estromal celular ou células estromais derivadas do tecido adiposo) leve ao rejuvenes- cimento da pele facial humana saudável, como foi preconizado porColeman. Esse estudo também demonstra que o uso de lipoen- xertia facial ou uma substância do tecido adiposo pode ser conside- rado um procedimento seguro. Em geral, a maioria dos estudos utilizados nessa revisão relatou resultados positivos. No entanto, o nível de evidência em cinco dos nove estudos incluídos foi baixo, com um nível de evidência de apenas IV. Portanto, os resultados relatados nessa revisão devem ser interpretados com cautela. Baixos níveis de evidência foram causados por um desenho inadequado do estudo: dois estudos careciam de um grupo controle, quatro utilizaram métodos de avaliação não vali- dados, dois não relataram dados quantitativos e dois estudos não definiram o desfecho de interesse (istoé,texturadapele).Trivisonno et al. definiram a textura da pele melhorada como diminuição da profundidade das rugas, dobras e linhas finas quando avaliadas com o analisador de perfilome- tria. A textura da pele melhorada observada pode, contudo, ser causada por um efeito volumé- trico da lipoenxertia. Esse efeito volumétrico pode diminuir a profundidade das rugas e dar ao rosto do paciente uma aparência rejuvenescida. Nesse caso, uma diminuição na profundidade das rugas não está necessariamente relacionada à melhoria da quali- dade da pele. A heterogeneidade entre os estudos é alta devido à ausência de padronização das técnicas de colheita e processamento de gordura dos lipoaspirados e à variação na demografia dos pacientes. O rendimento celular e a viabilidade da fração vascular lipoaspirada dependem da idade, comorbidades, localização da colheita e técnicas de proces- samento (como centrifugação e decantação). A maioria dos estudos incluídos não mencionou essas característicasdosdoadores, o que dificulta a comparação das populações estudadas. Na cirurgia plástica estética, é um desafio projetar ensaios clínicos bem definidos, pros- pectivos, randomizados, com o uso de equipamentos e questio- nários validados para avaliar a qualidade da pele. Um estudo sobre o número de publicações em três grandes periódicos de cirurgia plástica constatou que apenas 1,83% das publicações são ensaios clínicos randomizados. A literatura sobre cirurgia plás- tica consiste principalmente em estudos com um tamanho de amostra relativamente pequeno em comparação com a literatura médica geral. Além disso, um pequeno tamanho da amostra torna mais difícil estabelecer diferenças significativas entre o grupo experimental e o grupo placebo. Nesse contexto, tratar um paciente com placebo e submetê-lo a todo o risco poten- cial da cirurgia é geralmente visto como eticamente indesejável. No entanto, tratar um paciente com um tratamento não cientifica- mente comprovado também é eticamente questionável. Assim, a maioria dos ensaios clínicos compara dois tratamentos diferentes, o que torna difícil estabelecer qualquer diferença significativa no resultado e efeito real do tratamento. Até o momento, os estudos para quan- tificar o rejuvenescimento da pele se baseiam principalmente em comparações fotográficas pré e pós-operatórias, que muitas vezes não são padronizadas ou são pouco padronizadas. Essas fotografias pré e pós-operatórias são frequentemente analisadas de maneira descritiva, em vez de analisadas por um terceiro observador cego, objetivo e inde- pendente ou são o resultado de análises objetivas e validadas por computador. Para melhorar futuros ensaios clínicos usando lipoen- xertia facial em cirurgia plástica estética, os autores propõem um protocolo para projetar umensaio clínico randomizado adequado com leituras validadas e obje- tivas. Dessa forma, a comparação de resultados de futuros ensaios clínicos pode chegar a uma conclusão definitiva sobre o
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