Revista Plastiko's #223

7 JAN-MAR 2020 PLASTIKO‘S Quais os pilares que devem sustentar sua gestão nesse próximo biênio? Amedicina brasileira vive um momento peculiar e, sobretudo, preocupante. E a cirurgia plástica não difere do restante damedicina. Adistribuição demográfica dos médicos no Brasil émuito desigual e isso desequilibra omercado de trabalho agravando-o com competitividade aética. Essa é uma preocupaçãomuito grande da nos- sa gestão emtraçar diretrizes que consigamequacionar esse desequi- líbrio damelhormaneira possível. Aredução do número de cirurgiões ingressantes nomercado deve ser emergencialmente efetivada e a reestruturação na formação deve passar por umforte incremento para a cirurgiade cunho reparador, alémdo preparo dosmédicos em formação para gerirema carreira sob todos aspectos: técnicos, finan- ceiros, gerenciais e eticidade. Omercado de trabalho será um dos focos da diretoria? Éuma preocupação de longa data das Diretoria da SBCP. As últimas gestões tiveramumolharmuito apurado emrelação aomercado de trabalho emcirurgias plásticas. É preciso equacionar qualitativa e quantitativamente omercado de trabalho na nossa especialidade. Para isso, estamos determinados a realizar, ao longo de nossa gestão, umtrabalho de acreditação dos Serviços Credenciados da SBCP, os serviços formadores dos cirurgiões plásticos para que, por meio dessa acreditação, possamos aperfeiçoá-los qualitativamente e consequentemente oferecer melhor formação aos residentes. E, lamentavelmente, se necessário for, encerrar atividades de quem não apresentar condições. O Departamento de Ensino e Serviços Credenciados (DESC) e o ConselhoDeliberativo (CD) serão grandes aliados dessemovimento. Precisaremos dimensionar os números de vagas de residentes em cirurgias plásticas para oferecer, para a população e para omercado, omelhor profissional possível. Em relação a defesa da especia- lidade, o que está previsto para a sua gestão? Precisamos sair dessa posição de defesa que estamos hoje e partir para uma posição de enfrenta- mento contra os oportunistas que têmminado, não só amedicina como um todo, mas, sobretudo, a cirurgia plástica. E isso impacta fortemente emuma questão de segurança para a população, que macula a cirurgia plástica, porque se confunde coma boa prática da especialidade. É contra entidades que invademnossa especialidade e contra esse tipo de profissional Meu objetivo é fazer a diferença na vida dos associados da SBCP e na vida das novas gerações porque eles, sim, farão com que essa nossa especialidade e nossa instituição tenha a continuidade do que tão bem foi construído até aqui, com ética e um olhar muito responsável que nossa gestão está determina- da a realizar esse enfrentamento. Já iniciamos essemovimento, em fevereiro emarço, acionando judi- cialmente entidades que “vendem” bizarros cursos de fimde semana com técnicas próprias da cirurgia plástica. Há uma forte linha de atuação, estrategicamente pen- sada e articulada, com juristas e legisladores que oportunamente será levada ao conhecimento e ao conhecimento de todos. Nessa linha de trabalho focado na valorização do cirurgião plástico, qual enfoque você destaca que vai ser resgatado para a especialidade? Precisamos resgatar para dentro damedicina e da cirurgia plástica a questão da humanização. Nunca se falou tanto sobre humanização damedicina como agora. Isso é importante porque traz de volta a boa relaçãomédico e paciente, que é o pilar fundamental do exercício damedicina. Umbenefíciomuito grande nessamudança é quantifi- carmelhor a imagemdo cirurgião plástico para a população. A cirurgia plástica carrega sobre si

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