Revista Plastiko's Especial

13 ESPECIAL 2020 PLASTIKO‘S Artigo O mundo mudou, as regras são outras e não está sendo diferente para os Programas de Residência Médica. As dúvidas são muitas e as respostas ainda são poucas. Os programas sofreram modificações em suas grades e ainda não se sabe quando cada serviço voltará ao normal. Temos a chance de ressignificar a nossa especialidade perante a sociedade. A cirurgia plástica reconstrutiva toma força novamente nos cuidados dos pacientes críticos, na manutenção do tratamento dos pacientes oncológicos e na prontidão no atendimento do paciente politraumatizado. A cirurgia plástica tem seu papel emmeio a esta crise. A especialidade está também na linha de frente. Novos desafios apareceram: pacientes sendo pronados por horas desenvolvendo úlceras de pressão em locais não costumeiros, lesões por extravasamento, patologias cirúrgicas comuns, mas em pacientes contaminados pelo vírus. Estes são nossos novos desafios e campos onde podemos atuar. Aproveitar este momento para desenvolver novas habilidades é enriquecedor para o médico e para a especialidade. Emmeio a pandemia da covid-19, os residentes foram colocados na linha de frente, deslocados de suas atividades como aspirantes a especialistas para atender pacientes clínicos. O residente que assinou seu contrato emmarço não imaginava que estaria tão A Residência Médica e o médico residente em tempos de covid-19 Dra. Laielly Abbas Preceptora do Programa de Residência Médica do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) longe da sua especialidade em abril. No entanto, a convocação veio e o dever está sendo cumprido. Mas o médico residente é médico, tem CRM, responsabilidades profissionais, necessidades básicas, contas e, além de tudo, temmedo. Existe o medo de se contaminar, de contaminar seus familiares e amigos, de não estar entregando o melhor para cada paciente e a cobrança excessiva. Tudo isso culmina em uma deterioração da saúde mental e isso deve ser colocado em pauta. Com as atividades eletivas suspensas e a manutenção apenas de urgências, emergências e reconstruções oncológicas na cirurgia plástica, grande parte dos residentes não está em contato com a sua área de atuação pretendida. Com isso, vem a preocupação das perdas acadêmicas que este período acarretará. A reposição das atividades é imperativa principalmente para as áreas cirúrgicas. Não se aprende a operar apenas com aulas e livros. É necessário dissecar para aprender anatomia. Ainda não encontramos substitutos para a ausculta, palpação e percussão presenciais, apesar do avanço da telemedicina. A propedêutica precisa ser treinada. O residente precisa da residência médica. A preocupação assola os supervisores dos programas, o governo e, principalmente, os próprios residentes. As respostas virão e os programas serão adaptados. Torçamos para que o prejuízo seja mínimo e que saiamos mais fortes e unidos com nossa especialidade ainda mais respeitada e enaltecida! RESIDÊNCIA MÉDICA A cirurgia plástica tem seu papel em meio a esta crise

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