Jornal COSEMS/SP - Ed. 220

#SaudedigitalSUS ENTREVISTA Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital, do Ministério da Saúde, afirma que a transformação digital no SUS é um caminho necessário e urgente “O desafio da conectividade já foi muito maior do que é atualmente” Ana Estela Haddad Durante a realização do 1º Simpósio Internacional de Transformação Digital no SUS, realizado em outubro na capital paulista, a reportagem do Jornal do COSEMS/SP aproveitou para conversar com Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), pasta vinculada ao Ministério da Saúde. Na entrevista a seguir, Ana Estela fala da repercussão do simpósio, dos desafios da conectividade no Brasil e detalha suas as prioridades à frente da SEIDIGI. Qual o objetivo ao se falar de transformação digital para o SUS em um país de dimensões continentais e com mais de 200 milhões de pessoas? A transformação digital de sistemas de saúde é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e tem se mostrado bem sucedida com impactos positivos na qualidade e continuidade do cuidado, para a ampliação do acesso às ações e serviços de saúde, da redução de custos para o sistema. E num país continental, diverso, desigual e com barreiras geográficas como o Brasil, é um caminho necessário e urgente. Somos aproximadamente 210 milhões de habitantes no Brasil e 70% da população depende exclusivamente do SUS, que responde por 2,8 bilhões de atendimentos por ano. Como a senhora vê o desafio da conectividade? O desafio da conectividade já foi muito maior do que é atualmente. Em 2006, quando iniciamos a experiência do Programa Telessaúde Brasil, o uso do celular ainda não era capilarizado como atualmente e mesmo a internet de banda larga era bem mais escassa. Certamente ainda temos desafios de conectividade em regiões remotas e de qualidade da conexão em muitos locais. Mas temos hoje muito mais ações e políticas públicas direcionadas a esse enfrentamento. Um exemplo é o Programa Norte Conectado, do Ministério das Comunicações, em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP/ MCTI) que está conectando gradualmente a Região Norte do país por cabos subaquáticos de fibra ótica ao longo dos leitos dos rios, fornecendo internet de alta qualidade onde parecia impossível chegar. Como a senhora vê a questão da maturidade digital para embasamento das políticas públicas de saúde digital? Identificar e escolher indicadores para monitorar e avaliar políticas públicas é fundamental. O Ministério da Saúde está trabalhando em parceria com especialistas e entidades do campo da saúde digital, nacional e internacionalmente, no desenvolvimento do Índice Nacional de Maturidade da Saúde Digital (INMSD). Ele irá nortear o processo de transformação digital do SUS a partir de agora, quando estamos nos preparando para lançar o programa SUS Digital Brasil. Este programa terá múltiplas estratégias para fazer com que o SUS avance como um todo cada vez mais na transformação digital voltada para a melhoria das condições de saúde da população. Julia Prado/MS 3

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