Jornal do COSEMS - Edição 37º Congresso

#congressocosemssp2024 CAPA ENTREVISTA Ministra da Saúde Nísia Trindade fala das iniciativas do governo federal em relação às alterações climáticas e como estas mudanças já impactam o SUS “É preciso aumentar a capacidade de resposta e de resiliência do SUS às mudanças climáticas” Nísia Trindade O impacto das mudanças climáticas na saúde é uma das prioridades para a gestão da Ministra da Saúde, Nísia Trindade. Uma iniciativa neste sentido foi a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para elaboração do Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima (O Dica do Gestor desta edição detalha os objetivos do GT). Em entrevista exclusiva ao Jornal do COSEMS/SP, Nísia Trindade comenta sobre as iniciativas do governo em relação às alterações climáticas e como estas mudanças já impactam o SUS. Confira! Qual a importância da discussão das mudanças climáticas para o MS? Atualmente a mudança climática é considerada a maior ameaça global à saúde. Em resposta a essa ameaça, 124 países assinaram a “Declaração COP28 sobre Clima e Saúde”. O texto destaca, entre outros, o objetivo de fortalecer o desenvolvimento e implementação de políticas que maximizem os ganhos em saúde decorrentes de ações de mitigação e adaptação e de priorizar a implementação de ações de adaptação em todos os setores que produzam resultados positivos em termos de saúde. O texto propõe o objetivo de melhorar a capacidade dos sistemas de saúde para antecipar e implementar intervenções de adaptação contra doenças e riscos para a saúde sensíveis ao clima e combater as desigualdades dentro e entre os países. De que forma essas mudanças já impactam o SUS? Os impactos podem ser sentidos pelas ondas de calor extremo que têm assolado o país, afetando a saúde das pessoas e sobrecarregando os serviços de pronto-atendimento e os hospitais. Impactos nas emergências associadas ao clima como enchentes, deslizamentos, longos períodos de estiagem e aumento de áreas e população atingidas. Além da piora de áreas já afetadas por secas e estiagens, há o risco de descontinuação de serviços de rotina, aumentando o risco à saúde da população e os custos para o SUS. Portanto, tratar da adaptação às mudanças do clima não é escolha, é uma necessidade. É preciso aumentar a capacidade de resposta e de resiliência do SUS e das comunidades, particularmente daquelas em situação de maior vulnerabilidade. Quais as iniciativas do Ministério da Saúde em relação ao assunto? Em junho de 2023, o Brasil recriou o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), que conta com a participação de 19 dos 37 ministérios do governo e tem a adaptação como um de seus objetivos. Para contribuir com a elaboração do Plano Setorial de Saúde de Adaptação à Mudança do Clima, instituímos um grupo de trabalho em janeiro de 2024. Por meio do GT, o Ministério da Saúde está incorporando o tema em todas as áreas, incluindo vigilância, assistência, preparação para o enfrentamento às emergências climáticas e produção e incorporação de evidências para o aumento da resiliência do SUS e proteção e promoção de saúde no país. O plano deverá passar por Consulta Pública e por consulta e aprovação formal nas instâncias de pactuação do SUS. Carolina Antunes/MS 6 Abril | 221

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