ABHH em Revista #02/2020
02 / 2020 A B H H e m R e v i s t a 27 “Foi um momento transformador, de muita evolução e que me mostrou a capacidade de revolução do ser humano”, relembra Carlitos sobre as experiências vividas ao longo dos 72 dias, quando ele — então com 18 anos — e outros 15 sobreviventes tiveram de se reinventar para se manter firmes. “É certamente a história mais impressionante que vivi porque, se considerar- mos que estávamos vivendo sob intensa nevasca e frio, a 4.200 metros de altitude, sem recursos, com 29 mortos à nossa volta, sabemos que sem- pre podemos seguir adiante.” Questionado sobre a relação que enxerga entre a experiência e o momento que o mundo vive imposto pelo avanço ainda desenfreado do coronavírus, Carlitos é taxativo: “Estamos viven- do momentos parecidos no sentido de tempo e privações, mas sobre o que vivemos atualmente não há muita ação a ser feita, apenas adotar as orientações médico-sanitárias e ter paciência”. Ele afirma ainda que a pandemia é um momento de avaliar nossas relações com inimigos e fazer um upgrade de mentalidade. Com a mudança abrupta ocasionada pela vivência do acidente, Carlitos mudou radical- mente sua vida. Passada a fase do trauma, ele decidiu que seguiria a vida dando pales- tras, que chegam a contabilizar 100 por ano. “Vivo disso hoje em dia, contando minha história para as pessoas que se encantam com a superação”, conta emocionado durante a entrevista exclusiva concedida à ABHH em Revista, feita por vídeo diretamente do Chile. “A parte romântica de tudo é a lua” Uma bela, e talvez a mais emocionante passa- gem de um dos livros escritos a partir da tragé- dia, A Sociedade da Neve , de Pablo Vierci, fala da relação que Carlitos estabeleceu com a lua. “Eles sabiam que a lua era o único meio de comunicação que eu tinha com a minha família. Olhava para ela e sabia que meus pais também a estavam observando. E com efeito, quando voltei para a civilização, mi- nha mãe me confidenciou que fazia a mes- ma coisa que eu, pois sabia que aquilo era a única coisa que nós dois podíamos avistar ao mesmo tempo. Já meu pai, que continuou sua busca por mim todos os dias, sem descanso, às vezes me procurava à noite guiado pela luz da lua nas montanhas, como um cego tatean- do no escuro, orientando-se por mensagens que eu enviava para o seu coração.” No topo desta página, clique no ícone e confira os principais trechos da conversa com a ABHH em Revista. E, no HEMO PLAY 2020, Carlitos seguirá com seus pensamentos metafóricos, relacio- nando sua história com o mundo contem- porâneo, a vida das empresas e o compor- tamento dos executivos. A palestra Atitude e Resiliência será transmitida ao vivo, em 3 de novembro, às 20h. Carlitos Páez Sobre o que vivemos atualmente, não há muita ação a ser feita, apenas adotar as orientações médico-sanitárias e ter paciência Clique para assistir ao vídeo da entrevista!
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