a r t i g o A AGÊNCIA NACIONAL DE Vigilância Sanitária (Anvisa) reconheceu e regulamentou a terapia com CAR-T Cell como um medicamento. Recentemente, as pesquisas no Brasil e no mundo têm avançado no sentido de mostrar sua eficácia no tratamento de diversas doenças oncohematológicas. Contudo, ainda há obstáculos no Brasil que precisam ser superados para que o CAR-T Cell possa definitivamente ser incorporado aos sistemas de saúde público e privado, essencialmente ao primeiro. No setor privado, a terapia com o CAR-T Cell já é comercializada. No entanto, as operadoras dos planos de saúde, bem como outros atores da esfera da Saúde, alegam que essa terapia não pode ser considerada um quimioterápico infusional, apesar de ser um medicamento, dificultando o acesso dos pacientes. Além disso, elas tendem a resistir à incorporação supostamente por causa do impacto orçamentário. Mesmo assim, no longo prazo, o CAR-T Cell pode ser mais viável economicamente porque seu uso acontece uma única vez, enquanto determinados medicamentos, em linhas de tratamento já estabelecidas, precisam ser utilizados de modo contínuo, portanto, por mais tempo, tornando seus custos mais elevados. Com isso, se acentua a judicialização pelos pacientes, que requerem usar o CAR-T Cell, ampliando ainda mais os gastos em Saúde. Evidentemente, os custos do CAR-T Cell precisam se tornar mais acessíveis. A aposta é que novos estudos acadêmicos possam consolidar essa terapia por meio de mais ensaios clínicos em um futuro próximo e que aconteçam parcerias público-privadas, reduzindo os custos para manufatura e possibilitando, inclusive, que o CAR-T Cell se torne uma realidade no Sistema Único de Saúde (SUS) , abrangendo uma parcela da população que também precisa ter acesso a novas tecnologias em Saúde. Até que isso aconteça, será necessária uma força- -tarefa de instituições de Saúde comprometidas com o avanço da ciência e com a qualidade de vida dos pacientes em tratamento oncohematólogico. É o que a ABHH tem realizado por meio do diálogo com indústrias farmacêuticas, operadoras dos planos de saúde, órgãos governamentais, associações de pacientes e outros atores. Nossa aposta é que o CAR-T Cell trilhe o mesmo caminho do Transplante de Medula Óssea (TMO), vencendo as barreiras e se tornando, mais que um tratamento revolucionário, uma prática diária nos hospitais do Brasil. Avanços com CAR-T Cell e as barreiras que precisamos ultrapassar Dr. Angelo Maiolino Vice-presidente da ABHH e professor de Hematologia do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ainda há obstáculos no Brasil que precisam ser superados para que o CAR-T Cell possa definitivamente ser incorporado aos sistemas de saúde público e privado, essencialmente ao primeiro 07 / 2023 ABHH em Revista 19
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