ABHH em Revista #07/2023

deixar o local para se dedicar aos estudos. Morou nos municípios de Vinhedo e Jundiaí para finalizar o curso ginasial e científico, respectivamente, até fixar moradia em Botucatu e cursar a faculdade. Lígia nem imaginava construir uma carreira admirável na assistência, ensino e pesquisa na Hematologia e na Unesp, quando decidiu, nos anos 1970, que cursaria medicina. A princípio, a especialidade médica escolhida era a Ginecologia, mas, durante o quarto ano na FMB, ela se encantou com a Hematologia. Foi num estágio de clínica médica que teve o primeiro contato com um paciente com Leucemia Mieloide Crônica (LMC). A partir daí, começou a estudar Hematologia para entender suas nuances. Em 1974, já no quinto ano de medicina, se mudou para a moradia reservada ao internato e residência para estagiar no Laboratório de Emergência do Hospital das Clínicas, onde passou a fazer os hemogramas todas as noites e nos fins de semana, como parte desse aprendizado inicial. “Naquele período, toda a Hemocitometria era absolutamente manual. Não havia contador automático e tudo era feito na pipeta, contagem em câmara de Neubauer etc. Quem viveu nessa época sabe do que falo. Foi decisivo para a minha vida. Aprendi muito. Foi um tempo de grande solidão porque ficava no hospital o fim de semana, mas foi marcante. A partir daí, a Hematologia modificou meu DNA profissional e pessoal e essa escolha se transformou na minha janela para o mundo. É assim até hoje e isso me faz feliz”, afirma a professora. Sobre as pessoas que foram importantes em sua carreira, a hematologista para um pouco para pensar, mas logo surgem nomes de alguns médicos pioneiros como Mário Rubens Guimarães Montenegro (um dos fundadores da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu) e Paulo Eduardo de Abreu Machado (professor emérito da Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp e vice-presidente da Fapesp), e que foi seu orientador no Mestrado e Doutorado na Unesp. Da sua geração, Lígia cita nomes como o de Sílvia Regina Brandalise (pioneira no combate ao câncer pediátrico no Brasil) e Luiz Fernando Lopes (diretor-geral do Hospital do Amor, em Barretos). “Reverencio essas personalidades porque são profissionais que direcionaram meu olhar profissional na prática médica. Devo reconhecimento e gratidão”, afirma. Pesquisadora pioneira Nesses quase 50 anos de medicina, os projetos de pesquisa estão desde sempre no seu dia a dia. Foram dezenas de artigos publicados em periódicos especializados e de trabalhos em anais de eventos, além de possuir 45 itens de produção técnica. Um feito que a orgulha foi ter sido a autora do primeiro trabalho publicado sobre Síndromes Mielodisplásicas (SMD) no Brasil em 1983, área em que ela segue focada até hoje. “O artigo mereceu um editorial do professor Michel Jamra”, lembra. Hematologista falecido em 1999, Jamra transformou a especialidade em uma disciplina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e ajudou a criar inúmeros hemocentros pelo país, entre outras atuações. Com décadas auxiliando na formação das novas gerações de médicos, a pesquisadora Nesses quase 50 anos de medicina, os projetos de pesquisa estão desde sempre no seu dia a dia. Foram dezenas de artigos publicados em periódicos especializados e de trabalhos em anais de eventos, além de possuir 45 itens de produção técnica 07 / 2023 ABHH em Revista 29

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