N o último Congresso da European Hematology Association (EHA), em junho deste ano, um dos temas discutidos entre os especialistas foram os novos procedimentos e tecnologias para monitorar o mieloma múltiplo (MM). É consenso que estamos em uma nova era no tratamento da doença. Novas possibilidades terapêuticas foram desenvolvidas nas últimas duas décadas e hoje são realidade no tratamento da doença como as terapias monoclonais, o uso das células CAR-T e os tratamentos medicamentosos com anticorpos biespecíficos. Aproveitando que o Brasil sediará em setembro a reunião anual da International Myeloma Society (IMS), a reportagem da ABHH em Revista conversou com especialistas que integram a ABHH para apontar o potencial dessas perspectivas terapêuticas no tratamento do mieloma múltiplo. Diretora de Comunicação da ABHH e uma das grandes especialistas em mieloma no mundo, a Dra. Vania Hungria observa que o conhecimento e o tratamento do mieloma aceleraram muito nessas duas últimas décadas. “Quando comecei a tratar pacientes com a doença, em 1984, tratávamos com melfalano e prednisona e a sobrevida global era de dois anos. Hoje temos muitas medicações e tratamentos, com os pacientes vivendo mais. Da década de 1980 até os anos 2000, as coisas andaram, mas não aceleraram. Mas, a partir de 2004, tivemos uma acelerada impressionante no desenvolvimento de novos tratamentos”, analisa. Entre as razões para este avanço, Vania explica que houve um investimento muito maior por parte das indústrias farmacêuticas. “Antigamente ninguém queria cuidar desses pacientes porque não haviam muitas opções de tratamento. Hoje existem mais recursos para cuidar dessas pessoas. Antigamente havia poucas indústrias farmacêuticas envolvidas com a doença. Hoje são muitas indústrias e, com o desenvolvimento de imunoterapia, biespecífico, anticorpos monoclonais e CAR-T Cell, houve uma explosão de possibilidades terapêuticas para tratar os pacientes”, afirma. Desde 2010, podemos ver os chamados anticorpos monoclonais como nova ferramenta diagnóstica. Com base no rastreio da proteína monoclonal, tipo de proteína característica do mieloma múltiplo, os pesquisadores e especialistas têm aperfeiçoado a verificação da eficácia do tratamento. Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), membro do Comitê de Gamopatias Monoclonais e também Diretor da ABHH, o Dr. Edvan Crusoé explica que a proteína monoclonal sempre foi foco para a identificação de atividade da doença. Afinal, a maioria dos pacientes com mieloma múltiplo a secretam na urina ou no sangue, e sua identificação é fundamental na avaliação de doenças secundárias, como a insuficiência renal. “O 12 / 2024 ABHH em Revista 11 O conhecimento e o tratamento do mieloma aceleraram muito nessas duas últimas décadas. Com o desenvolvimento de imunoterapia, biespecífico, anticorpos monoclonais e CAR-T Cell, houve uma explosão de possibilidades terapêuticas para tratar os pacientes com mieloma múltiplo Getty Images
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