14 / 2025 ABHH em Revista 29 A contribuição para a ciência e para a medicina, a formação de médicos e a liderança na gestão pública definem a trajetória do Prof. Dr. Marco Antonio Zago Por Roberto Souza P oucos nomes na ciência brasileira reúnem uma trajetória tão multifacetada quanto a de Marco Antonio Zago. Médico hematologista, pesquisador, gestor público, professor universitário e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), cargo que ocupa desde 2018. Ao longo de sua trajetória, Zago participou ativamente de momentos decisivos da história científica nacional, sempre com um olhar voltado para o futuro e um ouvido atento aos mais jovens. “Tenho vários defeitos, mas uma qualidade: escutar os jovens. E sou facilmente convencido desde que tenham bons argumentos”, afirmou o hematologista de 78 anos em entrevista ao Centro de Memória da FAPESP, no YouTube. O bate-papo realizado pela FAPESP contou com a participação do Dr. Dimas Tadeu Covas, diretor da ABHH – Zago é integrante do Conselho Deliberativo Vitalício da associação. Sua contribuição para o desenvolvimento da ciência no Brasil se deu por múltiplas frentes. Entre 2001 e 2015, coordenou o Centro de Terapia Celular (CTC) de Ribeirão Preto, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP. De 2007 a 2010, presidiu o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), onde idealizou e implementou um dos mais relevantes programas da história da ciência nacional: o Programa de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). Em seguida, iniciou sua trajetória como gestor na Universidade de São Paulo (USP), atuando como pró- -reitor de Pesquisa (2010–2014) e, posteriormente, como reitor (2014–2017). Nesse período, conduziu uma ampla reestruturação orçamentária e fortaleceu as parcerias internacionais da USP. Em 2018, assumiu a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Início na USP Sua trajetória na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) é um capítulo especial. Zago ingressou na graduação em 1965, quando participou do movimento estudantil, na vanguarda da resistência à ditadura militar. A experiência de viver a efervescência política na universidade nos anos 1960 moldou não apenas sua visão de país, mas também a forma como sempre associou ciência, medicina e engajamento social. “Era uma escola de vida porque fazia Mais que um currículo, um legado
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