14 / 2025 ABHH em Revista 31 molecular. De volta ao Brasil, passou a estudar as doenças hereditárias das hemoglobinas. “Nosso laboratório foi o primeiro laboratório que começou a estudar a dinâmica das populações brasileiras, isso que se chama genética populacional, com base nas alterações do DNA. Nesse período, estudamos as populações brasileiras, os indígenas, as populações descendentes de africanos e toda a dinâmica populacional relacionada com essas populações. Descobrimos uma série de coisas interessantes. Esse laboratório foi um dos que participou do Projeto Genoma”, relembrou o médico em entrevista dada ao Centro de Memória da FAPESP. A participação do seu laboratório no Projeto Genoma foi um dos momentos decisivos de sua carreira. “Durante minha vida científica, a FAPESP fez dois grandes gols que mudaram o panorama da ciência no estado de São Paulo. Um foi o Projeto Genoma. A genômica no Brasil nasceu dentro da FAPESP, assim como a bioinformática, o outro elemento fundamental. E se você for fazer a filogenia de todo mundo que trabalha hoje com genomas, você vai encontrar que, na paternidade distante, está alguém que participou daquele projeto”, lembrou o hematologista. Com toda essa bagagem, Zago foi um dos líderes na estruturação do Centro de Terapia Celular (CTC) de Ribeirão Preto, um dos 11 primeiros Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP no início dos anos 2000. O grupo desenvolve pesquisas pioneiras na área de transplantes com células-tronco hematopoiéticas para doenças autoimunes e, mais recentemente, investiga o uso de células CAR-T no tratamento do câncer. “Esse Centro foi muito bem-sucedido ao longo de 20 anos hoje, 22 anos. A produção científica foi muito grande. Nas mais diferentes áreas ajudamos, como diz Dimas, a moldar inclusive o pensamento com relação ao câncer, causas, mecanismos de câncer”, acrescentou. Prêmios e reconhecimento Autor de mais de 300 publicações citadas na Web of Science, orientador de dezenas de pesquisadores, Zago é um dos autores do Tratado de Hematologia, leitura obrigatória para hematologistas, hemoterapeutas e residentes. Sua contribuição científica se destaca pelo entendimento das alterações ontogenéticas e moleculares das neoplasias hematológicas, das trombofilias e em especial das bases moleculares da talassemia e da anemia falciforme. O hematologista construiu muito mais do que um currículo: construiu instituições, ideias, pontes entre gerações. Desde a graduação em Medicina pela USP e o primeiro auxílio concedido pela FAPESP, em 1973, o Prof. Marco Antonio Zago vem sendo reconhecido por sua trajetória científica. Ao longo dos anos, recebeu importantes homenagens, como a Grã-Cruz e a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2018, e a Medalha Paulista do Mérito Científico, outorgada em 2000 pelo Governo de São Paulo. Em 2015, foi agraciado com o Prêmio Octavio Frias de Oliveira, na categoria Personalidade de Destaque em Oncologia. “Com seu trabalho, foi possível estabelecer diagnósticos corretos de doenças em todo o Brasil, o que permitiu estruturar o atendimento de pacientes. Essa atuação possibilitou que o Hospital das Clínicas da FMRP-USP realizasse, pioneiramente, transplantes de medula óssea para tratar a anemia falciforme. O conjunto de atividades do professor Zago é extremamente amplo, diversificado e relevante e um exemplo do comprometimento com a educação e com a ciência, com a medicina e com o país”, ressaltou o Prof. Dr. Rodrigo Calado, diretor da ABHH, durante a cerimônia de outorga de Zago como Professor Emérito da FMRP-USP em 2022. Foto: FMRP-USP
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