ABHH em Revista #14/2025

A médica hematologista Belinda R. Avalos foi eleita em 2025 presidente da American Society of Hematology (ASH). Filha de imigrantes mexicanos, Belinda trilhou uma carreira marcada por sua dedicação à pesquisa em hematologia com contribuições significativas nas áreas de leucemogênese, neutropenia congênita, transplante e terapia celular. Membro da ASH há mais de 30 anos, ela é reconhecida por seu compromisso com a diversidade e inclusão e, sob sua liderança, a ASH tem ampliado programas voltados para a equidade no acesso à saúde e fortalecido parcerias internacionais. Na entrevista a seguir, a presidente fala sobre sua carreira, destaca a importância dos programas de promoção da diversidade promovidos pela ASH para a prática clínica em hematologia e ressalta a relevância da parceria “longa e especial” com a ABHH. Confira! O que a fez escolher a medicina? Quando criança, sempre tive interesse por ciência e por “experimentar”. Meu pai era cirurgião e sempre achei o trabalho dele interessante. Seus pacientes, que vinham da mesma região rural onde minha família vivia, eram profundamente gratos pela ajuda que oferecia, muitas vezes sem cobrar nada. Eles o amavam. Infelizmente, meu pai faleceu quando eu tinha 16 anos, mas deixou uma marca duradoura em mim. Ele lançou as bases para meu interesse inicial pela medicina. E o interesse pela hematologia e pesquisa surgiu em que momento? Na faculdade, a pesquisa em bioquímica foi minha primeira incursão no mundo da pesquisa. No primeiro ano, a hematologia me pareceu interessante e muito fisiológica. Só durante meu estágio clínico com a Dra. Bertha Bouroncle, uma hematologista peruana que descreveu pela primeira vez a leucemia de células pilosas, comecei a considerar uma carreira em hematologia. Ela me ensinou a arte da análise morfológica de esfregaços de sangue periférico e aspirados de medula óssea, me incentivando a fazer uma especialização, em Seattle, para aprender a realizar transplantes de medula óssea (TMO). Por meio dela, compreendi a importância da pesquisa para a inovação, a descoberta, o cuidado clínico e a melhoria dos resultados dos pacientes. Houve outra mentora como uma figura crucial? Outra mentora importante para mim é a Dra. Judy Gasson, que originalmente purificou o GM-CSF [substância que aumenta a velocidade de reprodução das células da medula óssea] e me aceitou em seu laboratório. Ela me ensinou a fazer pesquisa básica e translacional e me incentivou a submeter resumos, a escrever manuscritos e a pleitear financiamentos. Foi Judy quem me encorajou a submeter meu primeiro resumo para a ASH, que foi aceito para apresentação oral. Muitos anos depois, Judy continua sendo uma inspiração. Tenho seguido seu exemplo com minhas próprias equipes de pesquisa. Você citou a ASH: o que a motivou a participar das atividades da Associação? Entrei para a ASH em 1993, motivada pelo meu grande interesse em hematologia, ciência, pesquisa e na melhoria dos resultados para os pacientes. A ASH tem sido minha casa desde então. Quando participei da minha primeira reunião da Associação como residente, fiquei imediatamente impressionada com o alto nível científico das apresentações e com o espírito colaborativo entre pesquisadores iniciantes e experientes de todo o mundo. Havia uma empolgação no ar como em nenhum outro encontro que eu já havia frequentado. A reunião selou para sempre meu interesse pela hematologia e nunca mais olhei para trás. Acho que perdi apenas três reuniões anuais da ASH desde a minha Entrei para a ASH em 1993, motivada pelo meu grande interesse em hematologia, ciência, pesquisa e na melhoria dos resultados para os pacientes. A ASH tem sido minha casa desde então 14 / 2025 ABHH em Revista 7

RkJQdWJsaXNoZXIy MTg4NjE0Nw==