ABHH em Revista #14/2025

Quais são os principais objetivos atuais da ASH no cenário global? A ASH está focada em promover uma comunidade hematológica verdadeiramente global e busca ampliar o intercâmbio de conhecimento científico e de recursos clínicos entre hematologistas e pesquisadores ao redor do mundo. Promover os mais altos padrões de ciência e cuidado ao paciente em hematologia também é uma prioridade, com forte ênfase em equidade e acessibilidade. A ASH tem um compromisso especial com o desenvolvimento da hematologia em regiões com menos recursos, incentivando a colaboração, a formação e o compartilhamento de expertise. A ASH e a ABHH são parceiras há mais de 15 anos. O que motiva a ASH a continuar construindo parcerias bem-sucedidas com outras associações? Temos uma relação longa e especial com a ABHH. Em parceria com a ASH, a ABHH coorganizou a primeira edição internacional do Highlights of ASH (HOA) na América Latina, realizada em São Paulo, Brasil, em 2009. Desde então, a ABHH sediou diversas outras edições do Highlights of ASH na região. Em 2017, a ABHH, juntamente com outras 10 sociedades de hematologia da América Latina, firmou uma parceria com a ASH para desenvolver o Registro Latino-Americano de Anemia Aplástica e, em 2020, a ASH e a ABHH iniciaram uma colaboração em um simpósio conjunto no HEMO. Parcerias com associações internacionais têm sido fundamentais para entender as necessidades locais e explorar formas de trabalhar em conjunto para fortalecer a hematologia e melhorar os desfechos dos pacientes ao redor do mundo. Há uma força imensa na diversidade de vozes que trabalham por uma causa comum e as parcerias bem-sucedidas com essas associações desempenham papel central no avanço da hematologia. Quais desafios a pesquisa em hematologia enfrenta hoje nos Estados Unidos? As incertezas no financiamento federal para pesquisa e programas que apoiam pacientes com doenças hematológicas (como o Programa de Coleta de Dados de Anemia Falciforme, os centros de tratamento de hemofilia, a conscientização sobre tromboembolia venosa etc.) são os grandes desafios na hematologia. Os cortes propostos no orçamento do NIH (National Institutes of Health) e na força de trabalho e orçamento dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) já impactaram numerosos pesquisadores. Esses cortes tiveram um efeito inibidor. Nosso país tem sido um líder global em avanços científicos e em pesquisa médica, e esses cortes e quaisquer outros futuros terão um impacto duradouro sobre os avanços médicos em nosso país e irão dificultar a realização de ensaios clínicos e o desenvolvimento de futuras gerações de cientistas e médicos. Os membros da ASH se reuniram com os principais líderes do Congresso em diversas ocasiões este ano e nossos esforços de advocacy continuam. Qual seu conselho para jovens hematologistas brasileiros que desejam se conectar com a ASH e se destacar internacionalmente? A ASH está comprometida com o fortalecimento da força de trabalho em hematologia e com o apoio a jovens hematologistas e cientistas ao redor do mundo. Temos um extenso portfólio, que inclui programas de formação, bolsas de pesquisa e publicações científicas globais, projetados especificamente para candidatos internacionais. Recomendo fortemente que qualquer pessoa interessada em expandir seu conhecimento e se conectar com a ASH visite a página de Iniciativas Globais da ASH (www.hematology.org/global-initiatives) e se inscreva nos programas! Participar de sociedades profissionais, publicar pesquisas e trabalhar com mentores são ótimas formas de se destacar internacionalmente. Eventos como o congresso anual da ASH oferecem oportunidades para se conectar com colegas e especialistas da área, o que pode abrir portas para colaborações futuras. Buscar mentores alinhados com seus interesses também é fundamental. Um bom mentor pode ajudar a refinar ideias de pesquisa, estruturar artigos e até orientar no processo de submissão. Como mulher mexicanoamericana de primeira geração que cresceu em uma área rural de Ohio, compreendo a importância de enfrentar as desigualdades na saúde e no acesso ao atendimento 14 / 2025 ABHH em Revista 9

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