ABHH em Revista #15/2025

transplante de medula óssea ajuda a sedimentar o conhecimento e ampliar os horizontes. Mesmo em situações difíceis, seguimos lutando por nossos pacientes”, acrescenta. Outro exemplo é o do Dr. Carlos Wilson de Alencar Cano, natural de Campo Grande (MS). Ele deixou sua cidade natal para concluir a residência em TMO no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, finalizada em 2025, ano em que também obteve a certificação na área emitida pela ABHH. “Participar de um transplante é acompanhar uma jornada intensa, mas que proporciona uma recompensa imensurável: ver um paciente renascer”, resume. O que atrai a nova geração? A atração pelo TMO vai além da técnica. Experiências pessoais, bons mentores e a oportunidade de transformar vidas, como mencionados pelos médicos acima, são fatores decisivos. Há também a força da inovação científica, que torna a área um terreno fértil para quem deseja construir carreiras sólidas na prática clínica e na pesquisa. O Dr. Kasys Meira Gervatauskas, coordenador do Serviço de TMO do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), vê esse entusiasmo de perto. “São médicas e médicos altamente dedicados e com grande aptidão para o estudo. A chegada das terapias celulares, como o CAR-T Cell, e os avanços em terapia gênica despertaram o interesse de uma nova geração”, diz. Para o Dr. Carmino Antônio de Souza, diretor científico da ABHH, a ciência é uma das principais razões desse aumento. “Não sabemos exatamente todas as razões, mas é um fato. Talvez a chegada do CAR-T e a ampliação dos transplantes haploidênticos estejam influenciando esse interesse.” Na mesma linha, o Dr. Fernando Barroso Duarte, presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) e membro do Comitê de Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular da ABHH, assinala dois pontos. O primeiro é que o TMO continua sendo a única opção realmente curativa para diversas doenças hematológicas, o que o torna um “verdadeiro game changer” em suas palavras. O segundo é essa revolução trazida pela terapia celular, com a chegada do CAR-T Cell, das células NK, da terapia gênica e do CRISPR. “O TMO e a terapia celular andam lado a lado”, afirma o hematologista, integrante da banca examinadora da prova de TMO da ABHH deste ano. Ele explica que a SBTMO lançou neste ano o 1º Manual do Jovem Transplantador, reforçando a importância de apoiar a formação de novas gerações. Segundo a entidade, 25% dos especialistas em TMO no Brasil têm menos de 40 anos. O Dr. James Maciel acrescenta ainda o fator mercado: o fato de o Brasil possuir leitos insuficientes e mal distribuídos geograficamente descortina oportunidades de trabalho e de impacto social em muitas regiões do país. Além disso, a gratificação por ajudar inúmeros pacientes a ficarem curados é outra razão para estimular os jovens no interesse pela área de transplante de medula óssea. A ressalva, acrescenta, é que o hematologista transplantador tem que ter disposição para o trabalho, criatividade para manejar e solucionar dificuldades que surgem a todo tempo. “É realmente impossível você trabalhar bem com transplante de células-tronco sozinho e sem um time coeso e com propósito. É preciso dedicação para com o seu serviço e com a assistência integral dos pacientes transplantados”, conclui. Leia o perfil do Prof. Dr. Ricardo Pasquini, pioneiro do transplante de medula óssea no Brasil, publicado na edição nº 5 da ABHH em Revista em perspectiva Durante a residência, me aproximei de professores inspiradores e a certeza só aumentava: TMO é o meu destino Dra. Laine Santos Fiscina Alvarenga 14 ABHH em Revista 14 / 2025

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