ABHH em Revista #15/2025

Uma memória marcante que o médico holandês Frits Rosendaal tem de suas viagens ao Brasil é a ida ao show do cantor Paulinho da Viola após um jantar em um restaurante construído em torno de árvores centenárias. Outra é a realização de um curso na cidade de Ouro Preto, com pessoas da América Latina, organizado pela Profa. Dra. Suely Rezende, de quem é amigo e parceiro de pesquisa. Frits é o palestrante da Conferência Magna do HEMO 2025, que será no dia 1º de novembro (sábado), das 11h às 12h. Ele falará sobre a história da trombose venosa e nossa compreensão sobre ela, com foco na genética, mas discutindo fatores ambientais. “E falarei sobre o que o futuro pode trazer”, diz. Presidente do Comitê de Integridade Científica e professor do Departamento de Epidemiologia Clínica da Universidade de Leiden, na Holanda, além de membro do Committee on Publication Ethics (COPE), organização que busca promover a integridade na pesquisa e publicação acadêmica, o holandês iniciou vários estudos epidemiológicos, como LETS e MEGA, que levaram à descoberta de um grande número de causas de trombose, como o Fator V de Leiden. Mesmo durante suas férias, o professor Frits aceitou gentilmente responder algumas perguntas de nossa reportagem sobre o que o motivou a dedicar sua carreira ao estudo e pesquisa em hemostasia e trombose, entre outras questões. Confira! O que levou o senhor a escolher a medicina como profissão? E como surgiu o seu interesse pela investigação das doenças trombóticas? Para ser franco, foi tudo uma coincidência. Naquela altura, pensava em ser jornalista, mas para isso era recomendado um curso universitário. Procurei algo mais genérico. O meu pai era clínico geral e eu gostava de matemática e ciências na escola, por isso escolhi medicina. O interesse por hemostasia e trombose também surgiu naturalmente: não havia tantos empregos depois de me formar em medicina e li um anúncio para uma vaga de pesquisador na Universidade de Leiden e me candidatei. Foi na área da hemofilia que obtive o meu doutoramento, mas logo depois surgiram grandes desafios na trombose, como o papel das anomalias trombofílicas e, com o interesse que tinha desenvolvido pela metodologia, voltei a minha atenção para essa direção. Tudo isso me convenceu de que muita ambição em uma direção específica numa idade jovem não é algo bom: deixe o acaso desempenhar o seu papel. Ao longo de uma carreira tão bem-sucedida, quais conquistas o senhor destaca como as mais significativas e as que mais lhe orgulham? Todas as minhas publicações evocam em mim memórias, das questões de pesquisa, dos desafios logísticos, das pessoas com quem trabalhei e do trabalho que tivemos que fazer em equipe. Assim como os filhos trazem lembranças, é um pouco difícil escolher quais são as mais queridas. É claro que a descoberta do Fator V de Leiden, publicada na Nature, foi importante, pois mudou a maneira como olhávamos para as causas genéticas da trombose e levou a muitos outros projetos e publicações, mas também porque resultou de um excelente trabalho em equipe entre clínicos, bioquímicos, biólogos moleculares e epidemiologistas. Depois, a publicação na Queria fazer ou publicar pesquisas que aprofundassem nossa compreensão da coagulação ou que pudessem impactar o atendimento ao paciente. As duas coisas nem sempre estão presentes ao mesmo tempo, mas isso não importa muito: uma, com o tempo, levará à outra 15 / 2025 ABHH em Revista 9

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