Dra. Violete Petitto Laforga, diretora de Ações Sociais da ABHH Mais do que alcançar números específicos, o objetivo é criar condições para que gênero deixe de ser um fator limitante na trajetória profissional dentro da hematologia e da hemoterapia brasileiras 16 / 2026 ABHH em Revista 29 Criado para ampliar a discussão sobre equidade e dar maior visibilidade às contribuições das mulheres na hematologia e hemoterapia, o Movimento ABHH Mulheres completa seu primeiro ano olhando também para os próximos passos. Lançada no HEMO 2025, a iniciativa conduz uma pesquisa sobre a realidade das mulheres na especialidade e projeta novas ações, entre elas a criação de um programa de mentoria. Segundo levantamento recente da ABHH, as mulheres representam 64% da hematologia. A presença expressiva, porém, não significa necessariamente equilíbrio nas oportunidades de crescimento profissional, reconhecimento, liderança e participação nos espaços de decisão. Ao fazer um balanço desse primeiro ano, a Dra. Violete Petitto Laforga, diretora de Ações Sociais da ABHH e uma das lideranças do movimento, destaca que o movimento abriu espaço para questões que nem sempre encontravam espaço para serem discutidas. “Muitas situações relacionadas à desigualdade de gênero foram naturalizadas ao longo do tempo e justamente por isso nem sempre são facilmente reconhecidas ou discutidas, inclusive pelas mulheres”, explica a hematologista, que representa a ABHH na Comissão Nacional em Defesa dos Direitos no Trabalho da Mulher Médica da Associação Médica Brasileira. Pesquisa em andamento Um dos desafios do movimento é incorporar essa discussão aos ambientes profissionais e científicos, envolvendo mulheres e homens na construção de relações mais equitativas. Nesse processo, a valorização das trajetórias de mulheres que atuam no ensino, na pesquisa, na assistência e na gestão tem ajudado a ampliar as referências femininas para as novas gerações. Para a Dra. Leny Passos, diretora de Comunicação da ABHH e também uma das lideranças do ABHH Mulheres, conhecer essas experiências ajuda profissionais mais jovens a enxergarem diferentes possibilidades para suas próprias carreiras. A criação de um programa formal de mentoria pretende aprofundar essa aproximação. “Queremos fortalecer a discussão sobre equidade dentro da própria ABHH, ampliar a visibilidade das mulheres que produzem ciência, estimular redes de apoio entre diferentes gerações e continuar promovendo educação e conscientização sobre situações de desigualdade e assédio”, afirma. A compreensão dos desafios enfrentados pelas profissionais da área é outra frente de atuação do grupo, que realiza uma pesquisa com coleta aberta até o fim de 2026. O levantamento aborda responsabilidades familiares e domésticas, progressão profissional, liderança, desigualdades, preconceito e assédio. Os dados ainda são preliminares, mas já ajudam a colocar algumas questões em perspectiva. Entre as respondentes que informaram a composição de suas equipes, foram relatadas, em média, cerca de oito mulheres para três homens.
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