ABHH em Revista - Ed. 16/2026

16 / 2026 ABHH em Revista 33 Prevenir a DECH No transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas, a prevenção da Doença do Enxerto contra o Hospedeiro (DECH) também ganhou novas recomendações em 2026. Elaborado pela ABHH em parceria com a SBTMO, o consenso orienta a profilaxia dessa complicação que ocorre quando células imunológicas do doador reagem contra tecidos do receptor. O consenso foi elaborado por especialistas de centros de referência em transplante e hematologia de diferentes regiões do país, com participação de profissionais de universidades, hospitais e instituições especializadas. As recomendações foram desenvolvidas a partir de uma revisão sistemática da literatura com uso da metodologia GRADE e análise de 11 questões clínicas estruturadas pelo modelo PICO (População, Intervenção, Comparação e Desfechos). A busca identificou mais de 37 mil estudos dos quais 54 foram selecionados para fundamentar as recomendações do consenso. Segundo os autores, o objetivo é oferecer uma ferramenta prática, baseada nas melhores evidências disponíveis, para apoiar a tomada de decisão clínica na prevenção da DECH e contribuir para maior segurança e melhores desfechos nos transplantes realizados no Brasil e em países com contextos semelhantes de acesso ao tratamento. Os novos consensos estão disponíveis na aba Ciência do site da ABHH. ampliar a incorporação dessa estratégia na assistência e que o PBM deixe de ser uma estratégia adotada por alguns centros e passe a fazer parte do cuidado pediátrico de forma sistemática e segura em todo o país. Paliativos ao longo do cuidado No Consenso sobre Indicadores para Encaminhamento de Pacientes com Doenças Hematológicas aos Cuidados Paliativos, o desafio foi estabelecer indicadores que contemplassem as diferentes trajetórias das doenças hematológicas. Previsto pelo Comitê de Cuidados Paliativos da ABHH desde sua criação, em 2021, o documento começou a ser escrito em 2024 e foi concluído em 2026. Na avaliação da Dra. Amanda Pifano, membro do Comitê e primeira autora do documento, critérios desenvolvidos para outras populações nem sempre refletem as particularidades da hematologia, área em que tratamentos de alta intensidade e possibilidade de cura podem coexistir com elevada carga de sintomas e necessidades complexas. “Mais do que estabelecer indicadores de encaminhamento, buscamos construir um documento que contextualizasse as diferentes doenças e demonstrasse, a partir das evidências disponíveis, porque e em quais situações a integração dos cuidados paliativos pode contribuir para a assistência ao paciente hematológico”, observa. O trabalho reuniu 20 especialistas e diferentes comitês da ABHH. Após uma revisão direcionada às subespecialidades, potenciais indicadores foram discutidos com profissionais diretamente envolvidos no cuidado de cada grupo de pacientes. “Desde o início, buscamos uma construção conjunta, que contemplasse diferentes perspectivas e respeitasse a complexidade e a diversidade da prática hematológica”, diz a médica. Os cuidados paliativos, ressalta, não se restringem ao fim de vida. “Reconhecer a importância de competências como controle de sintomas, comunicação, tomada de decisão compartilhada e planejamento de cuidados ao longo de toda a trajetória da doença é fundamental para deixarmos de associá-los ao fim de vida”, explica. A formação nessas habilidades, porém, ainda é limitada. “Um dos caminhos que consideramos fundamentais é fortalecer a formação do hematologista em habilidades primárias de cuidados paliativos e no reconhecimento das situações em que a atuação conjunta com uma equipe especializada pode agregar ao cuidado”, defende.

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