ABMotéis News #69

5 ABMotéis News Mai/Jun de 2026 Capa Ricardo Freire, arquiteto, responsável pelo projeto de motéis em diversos países Uma motelaria mais diversa Se essa evolução reflete novas exigências dos hóspedes, ela também revela uma mudança no perfil de quem frequenta esses espaços. Para a arquiteta e designer de interiores Fabíola Fera, que já assinou suítes em motéis de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, o setor deixou para trás uma lógica predominantemente masculina. “Os motéis deixaram de ser um território masculino feito por homens para homens”, observa. Com a presença crescente de casais fixos entre os frequentadores, os motéis passaram a ser associados não apenas aos encontros íntimos, mas ao romance, ao descanso e à desconexão da rotina. Essa mudança ampliou as possibilidades de uso das suítes, que hoje recebem celebrações, momentos de lazer e experiências voltadas ao bem-estar. “Uma hospedagem mais confortável pode ser aproveitada sozinho ou em propostas que não passam necessariamente pelo sexo, como festas e encontros entre amigas”, afirma. O wellness entra em cena Nesse contexto, elementos antes mais comuns na hotelaria como piscinas privativas, spas, iluminação planejada e materiais naturais passaram a integrar o repertório da motelaria atual. Para Ricardo, o design dos motéis passou a ser pensado de forma mais abrangente. “Atualmente os projetos priorizam conforto, bem-estar, privacidade e sofisticação. A arquitetura acompanha uma tendência global de valorização da experiência do usuário”, analisa. À medida que conceitos como minimalismo e wellness ganham espaço, surge também o desafio de preservar a identidade da motelaria. Ricardo alerta que tendências não devem resultar em projetos genéricos e a personalidade de cada motel nasce da combinação entre ambientação, materiais e iluminação. Fabíola compartilha da mesma preocupação. “Vejo o quanto esse conceito de super clean pode fazer as suítes ficarem parecidas e um pouco com cara de clínicas”, acrescenta. Para a arquiteta, a originalidade continua sendo um diferencial essencial. “Um minimalismo com personalidade e cores bem trabalhadas sempre funciona. O motel precisa surpreender no primeiro olhar”, afirma Fabíola. Qual o futuro do design moteleiro? Olhando para a próxima década, ambos apontam uma motelaria cada vez mais focada em experiência, eficiência e personalização. Na avaliação de Ricardo, sustentabilidade e tecnologia deixam de ser diferenciais para se tornarem expectativas do mercado, especialmente entre as novas gerações de consumidores. Ao mesmo tempo, ganha força uma estética mais atemporal e sofisticada, marcada pelo uso de materiais naturais, conforto sensorial, iluminação estratégica e bem-estar. “Mais do que seguir tendências específicas, acredito que os projetos de maior sucesso serão aqueles capazes de criar experiências autênticas, combinando design, tecnologia e hospitalidade de forma coerente com a identidade de cada motel”, ressalta. Fabíola, por sua vez, aposta na neuroarquitetura, área que estuda como formas, cores e luz influenciam emoções e comportamentos. Para ela, os projetos devem equilibrar elementos de um design mais clean com cores e soluções capazes de despertar sensações e evitar ambientes excessivamente frios ou impessoais. “A suíte precisa acalmar, mas também emocionar e surpreender os hóspedes. Não podemos esquecer que o motel está no território da paixão e do romance”, afirma. Fabíola Fera, arquiteta e designer de interiores

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