A B H H e m R e v i s t a 06 / 2022 10 supervisiono a instalação de primatas não humanos do NIH, cuja equipe consiste em um veterinário e 5 técnicos de animais altamente qualificados. Dentro da minha divisão, também supervisiono o serviço clínico consultivo de hematologia para o NIH Clinical Center (o hospital e as clínicas ambulatoriais) e o programa de treinamento clínico em hematologia no NIH. Com todas essas atividades, sobra tempo para se dedicar à ASH? Como atual Secretária da American Society of Hematology, eu gasto uma quantidade significativa de esforço “depois do expediente” nos negócios da sociedade, planejando mais intensamente o programa e supervisionando todos os abstracts e cronogramas para a reunião anual da ASH. Tenho 25 anos de ASH, que acredito ser uma das sociedades médicas ou científicas profissionais mais bem administradas e impactantes do mundo. Por que a escolha do tema “Hematologia na era da terapia gênica e edição do genoma” para sua Magna Conference no HEMO 2022? Tentei criar um tópico que fosse de interesse geral, com muitos dados e conceitos novos para discutir, com base em alguns de meus próprios trabalhos, bem como de outros colegas do NIH e de todo o mundo. Este é o seu primeiro HEMO ou você já esteve em conferências anteriores? Será a minha primeira vez como adulta no Brasil ou mesmo na América do Sul. Quando criança, fiz várias viagens com minha família por causa do trabalho do meu pai como responsável pelas operações internacionais da empresa Singer Machine, inclusive no Brasil. Das memórias de infância, lembro-me de estar na praia do Rio de Janeiro e adorar a pipa que meu pai comprou para mim lá! Estou muito ansiosa para voltar ao Brasil, agora como adulta, para interagir com hematologistas, incluindo amigos e colegas anteriores, como o Dr. Rodrigo Calado e o Dr. Phillip Scheinberg, além de fazer novas conexões. Você foi a primeira mulher a ocupar o cargo de editora-chefe de “Blood”. Que impacto isso teve na sua carreira e para outros hematologistas? Servir primeiramente como editora-associada por 10 anos e depois como editora-chefe por cinco anos teve um impacto profundo emminha carreira como hematologista. Ganhei amplitude em todo o espectro da hematologia científica e clínica que sempre amei. Essa posição tambémme colocou em contato com centenas ou mesmo milhares de cientistas e hematologistas em todo o mundo, muitos talvez transitórios, mas muitas vezes se aprofundando com base em anos de trabalho conjunto para melhorar artigos e histórias de pesquisa. Sou uma ótima crítica e editora, principalmente do trabalho de outras pessoas! Também fiquei fascinada pela ética e a “sociologia” da publicação científica e a revisão por pares e acredito que meus esforços e escrita nessas áreas tiveram um impacto positivo na Blood e em outras publicações da ASH, bem como em geral. Quando comecei na Blood, menos de 10% dos editores/conselho editorial erammulheres e, agora, a proporção é de 50%! É ótimo ver o progresso. Que história você viveu com um paciente que ainda hoje a emociona? Ainda me lembro de um jovem com doença falciforme (DF) de quem cuidei como residente de medicina interna em Boston. Apresentava dolorosas úlceras nas pernas, insuficiência cardíaca por sobrecarga de ferro devido a transfusões e internações frequentes por crises de dor e outras complicações da DF. Ele ficou conhecido em Boston por um tempo porque um famoso colunista de jornal escreveu uma série de artigos sobre as experiências do paciente com DF. Sua história cativou grande parte da cidade e trouxe essa doença horrível à atenção de uma faixa mais ampla de pessoas. Isso era novo na cidade altamente segregada e racialmente tensa que Boston era no início dos anos 1980. Sua bravura e as poucas opções de tratamento para DF realmente inspiraram meu interesse em me tornar um médico pesquisador de hematologia e me levaram à decisão de vir ao NIH trabalhar no laboratório do Dr. Art Nienhuis supostamente sobre DF, que nunca realmente funcionou, sendo desviada permanentemente e cedo para o estudo da biologia de células-tronco e hematopoiese. Qual conselho você dá para hematologistas em início de carreira? Seja você mesmo, esteja sempre aberto a oportunidades inesperadas (ou seja, não se atenha rigidamente a cronogramas e planos de carreira), seja generoso com colaboradores e estagiários e aprenda a escrever! Quando comecei na Blood, menos de 10% dos editores/conselho editorial eram mulheres e, agora, a proporção é de 50%! abre aspas
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