ABHH em Revista #06/2022

06 / 2022 A B H H e m R e v i s t a 9 O que me atraiu para a hematologia foi a inigualável capacidade de conectar diretamente os avanços científicos em níveis muito básicos com avanços no tratamento de pacientes com doenças graves Quando você soube que queria fazer medicina? Sempre fui fascinada pela ciência, principalmente a biologia, primeiramente querendo ser veterinária. Quando criança e adolescente, tinha obsessão por cavalos e cachorros. Depois, inspirada pela [primatóloga britânica] Jane Goodall, E. O Wilson [biólogo norte-americano] e por minhas próprias experiências como guarda florestal/ naturalista do parque nacional, pensei em me tornar uma bióloga da vida selvagem. Não tive contato, até então, com remédios ou hospitais. Foi quando um amigo foi tratado para o linfoma de Hodgkin, infelizmente pouco antes da cura para esse tipo de câncer se tornar mais comum. Ele morreu pouco antes de eu entrar na universidade e minha exposição a seus médicos e enfermeiras, além do poder e toxicidade do tratamento do câncer, tiveram um grande impacto e me levaram à faculdade de medicina depois de receber meu diploma de graduação em história da ciência [pela Universidade de Harvard em 1980]. E quando surgiu o interesse pela hematologia? Fui atraída pela hematologia durante a faculdade e a residência por conta da relação muito próxima entre toda a fascinante ciência que descobri pela primeira vez em células sanguíneas e aplicações clínicas, particularmente na época, o transplante de medula óssea e a indução de hemoglobina F para tratamento de hemoglobinopatias. O que me atraiu para a hematologia foi a inigualável capacidade de conectar diretamente os avanços científicos, por exemplo, em biologia molecular, virologia, genômica e biologia celular, em níveis muito básicos com avanços no tratamento de pacientes com doenças graves. Também amo cores e padrões, então olhar para borrões de sangue e exames de medula óssea sempre me fascinou! De todas as pesquisas que você liderou, qual a mais orgulha? O desenvolvimento do modelo preditivo de macacos para hematopoiese e terapias gênicas; a demonstração de expansões clonais em células natural killer (NK), abrindo caminho para a compreensão da memória das células NK; e o desenvolvimento do primeiro novo tratamento para anemia aplástica em décadas. Quem são os mentores na medicina que a influenciaram? Meu mentor mais importante foi meu supervisor de pesquisa inicial e mentor no NIH, Dr. Arthur Nienhuis (hematologista norte-americano e líder mundial nas áreas de hematologia e terapia genética, falecido em 2021), quando cheguei como pós-doutoranda muito inexperiente e sem qualquer treinamento real prévio em pesquisa. Ele estava absolutamente comprometido em promover as carreiras de médicos-cientistas e sempre conectando a pesquisa laboratorial aos pacientes. Ele me deu muita responsabilidade e crédito de forma rápida. Sem sua confiança e generosidade, eu nunca teria me tornado a hematologista e cientista que sou hoje. Ele não se importava em ser questionado nem com minha abordagem apaixonada pela medicina e pela ciência. Como foi continuar realizando sua pesquisa com a pandemia de Covid-19? Em quase todo o primeiro ano da pandemia, o governo dos Estados Unidos encerrou quase todas as pesquisas no NIH, exceto as relacionadas à Covid-19. O hospital estava aberto, mas, como a maioria de nossos pacientes são imunocomprometidos e precisam voar de todo os Estados Unidos e do mundo, eles pararam de vir. Passamos para telemedicina e organizamos coletas de sangue e infusões em suas casas. Mas isso realmente retardou nossos esforços de pesquisa clínica, que só agora retornam à normalidade. Você pode nos contar um pouco sobre sua rotina no NIH? Ocupo vários cargos científicos e administrativos no NIH. Primeiro e consistindo em pelo menos 2/3 do meu esforço, dirijo meu próprio laboratório e grupo de pesquisa clínica com foco em hematopoiese/falha medular/terapias gênicas e biologia de células natural killer. Meu grupo de pesquisa direta consiste em cerca de 10 a 13 pessoas, incluindo cientistas sêniores e clínicos, gerentes de laboratório, pós-doutorandos, clinical fellows, estudantes de pós-graduação e pós-graduandos que trabalham no laboratório enquanto se candidatam a programas de MD ou doutorado. Além disso,

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