Jornal do COSEMS-SP - Ed. 199 - Out 2019

5 199 | OUTUBRO 2019 “SÃO ESPECIALISTAS COM AS MELHORES EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS QUE DEFENDEM O PARTO NORMAL. O PARTO NORMAL É UM EVENTO FISIOLÓGICO E NÃO PODEMOS DIZER QUE ISSO É SOFRIMENTO. NÃO EXISTE NADA CIENTÍFICO QUE MOSTRE A CESÁREA COMO UM MÉTODO DE TIRAR DOR DE PARTO. NÃO EXISTE UM PROTOCOLO DE OBSTETRÍCIA SÉRIO QUE NÃO PREVEJA UMA CESÁREA QUANDO NECESSÁRIA. É UM ABSURDO DIZER QUE NÃO EXISTEM ESTUDOS QUE MOSTREM OS EFEITOS DA CESARIANA ELETIVA” RODRIGO CERQUEIRA SOUZA CAPA Outra justificativa derru- bada por Souza versa sobre a anoxia neonatal. “Fiz uma comparação simples e descobri que o risco de anoxia fora do trabalho de parto é bem maior que em parto normal. Sendo assim, será que é a via de parto que aumenta o risco de anoxia ou são problemas obstétricos que a causam?”, questionou. “Não existe um protocolo de Obstetrícia sério que não pre- veja uma cesárea quando ne- cessária. É um absurdo dizer que não existem estudos que mostrem os efeitos da cesaria- na eletiva”, completou. De acordo com o professor, a causa de pedido de cesárea é ba- sicamente omedo da dor do parto normal, sem que haja discussão e conhecimento sobre qual via de parto é mais benéfica. “No Reino Unido, por exem- plo, é no pré-natal que se faz a escolha pela via de parto, com todos os profissionais da equipe envolvidos na escolha, inclusive psicólogos e psiquiatras. Se, de- pois de tudo isso, a gestante não aceita o parto normal, aí é ofere- cida a cesariana. Mesmo assim, subiu a taxa de cesarianas no Reino Unido, que hoje gira em torno de 26%. Não se trata de uma lei, mas de uma recomenda- ção do NICE (National Institute for Health and Care Excellence).” Segundo Souza, é claro que a parturiente tem o direito de escolha, porém, do jeito que está a Lei, a gestante não possui autonomia, sendo sua decisão baseada pelo medo. É necessá- ria a colaboração para um am- biente mais acolhedor. Acolhimento também foi ressaltado pelo médico obs- tetra Corintio Mariani Neto, responsável pelo departamen- to no Hospital Leonor Mendes de Barros. O profissional acre- dita que o mais importante

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