Jornal do COSEMS-SP - Ed. 205 - Julho 2020
5 #usemáscara 205 | JULHO 2020 CIÊNCIA Evidências científicas sobre o tratamento farmacológico para casos leves e moderados de COVID-19 Nenhum produto farmacêutico, até o momento, é considerado seguro e eficaz para tratar a COVID-19. Em relação aos vários medicamentos que estão sendo prescritos para uso off label (cuja indicação não está descrita na bula) as evidências científicas sobre eficácia e segurança são as seguintes: Ivermectina: estudo in vitro demonstrou que, em altas doses, seu uso teve sucesso emmatar células infectadas por SARS-CoV-2, mas não existe até o momento estudo publicado e revisado sobre a eficácia e segurança da ivermectina no tratamento da COVID-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu essa medicação de seu conjunto de pesquisas, uma vez que as conclusões atuais indicam que não possui benefício clínico para reduzir cargas virais em pacientes com COVID-19. Corticosteroides: estudos possuem várias limitações e demonstram que não trazem benefícios para pacientes com casos leves e moderados sem suporte ventilatório. Os corticosteroides, em casos leves de COVID-19, devem ser evitados a menos que sejam indicados por outro motivo como exacerbação de asma ou DPOC. Cloroquina/hidroxicloroquina (HCQS) associada à azitromicina: a combinação mostrou resultados controversos quanto à detecção viral negativa sem diferença significante com relação a comparadores. A mortalidade por todas as causas não parece diferir quando se faz comparação de resultados empacientes que não utilizaramnenhumdestes fármacos ou pacientes que utilizam somente azitromicina ouHCQS. Estudos indicam riscomaior de parada cardíaca e arritmia como uso de HCQS, combinada ou não à azitromicina, em comparação comuso isolado de azitromicina ou o não uso destes tratamentos. Nitazoxanida: não existem estudos que tenham avaliado o seu uso em pacientes com COVID-19 de modo que as evidências científicas são indiretas, provenientes de estudos em infecções respiratórias por influenza. Heparina: os estudos existentes possuem vários vieses e não permitem fornecer qualquer evidência confiável. O uso de heparina em dose profilática se dá de acordo com os fatores de risco relacionados à condição clínica do paciente, independentemente do diagnóstico de COVID-19. Antibioticoterapia sem evidência de infecção bacteriana: estudos de casos limitados apresentam resultados inconsistentes quanto aos benefícios do uso precoce de antibioticoterapia na melhora clínica de pacientes com COVID-19 sem comprovação de infecção bacteriana. Dirce Marques, assessora técnica do COSEMS/SP GETTY IMAGES Acesse a Nota Técnica COSEMS/SP nº 09 com consideraçõesarespeitode medicamentossemindicaçãodeuso autorizada ( off label )no tratamento daCOVID-19eomanejoclínico/ farmacológicodepacientes com sintomas leves emoderados do vírus, disponível no link https://bit.ly/2ZJNZou .
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