Jornal do COSEMS-SP - Ed. 205 - Julho 2020
JULHO 2020 | 205 #usemáscara 4 ATENÇÃOBÁSICA Atenção Básica no enfrentamento da pandemia S ão características da COVID-19: percentual expressivo de casos clínicos leves ou moderados e alta transmissibilidade e gravidade importante de um percentual reduzido de casos. Isso indica a necessidade de diagnóstico precoce e isolamento domiciliar dos casos leves e moderados, a obrigatoriedade do distanciamento social e a disponibilidade de leitos de UTI para os casos graves. Os quadros leves e moderados, de acordo com estudos científicos, representam 80% dos casos e devem ser atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A equipe deve atender todos com sintomas respiratórios, fazer diagnóstico a partir da avaliação clínica, incluir testagem laboratorial, orientar sobre quarentena domiciliar (suspeitos e confirmados) e monitorar os pacientes em quarentena. Oenfrentamentodapandemia depende da capacidade da Atenção Básica (AB) cumprir esse complexo papel de porta de entrada do sistema de saúde e oferecer cuidado integral aos usuários nesse momento de emergência sanitária. O estado de São Paulo possui 645 municípios e cerca de 4.200 UBS onde trabalham mais de 5 mil Equipes de Saúde daFamília e milhares de Equipes de Atenção Primária à Saúde. Em mais de 100 dias de pandemia, os gestores municipais se desdobraram na reorganização do processo de trabalho na AB, criando um fluxo de atendimento de pacientes com sintomas respiratórios, espaços para testagem RT- PCR e envolvimento das equipes para acompanhar os milhares de casos suspeitos e confirmados em quarentena domiciliar. Vários dispositivos foram criados pelas equipes da AB com iniciativas inéditas voltadas para o cuidado dos pacientes. As experiências relatadas por secretários e secretárias municipais de saúde, coordenadores da AB e Vigilância emSaúde dos municípios na rodada de reuniões realizadas com as Comissões Intergestores Regionais (CIR) – com a coordenação do COSEMS/SP e a área técnica da AB da CRS/ SES que participam do Grupo Técnico de AB (GTAB), espaço bipartite de discussão da AB em São Paulo –, evidenciaram milhares de atores que não ocupam o mesmo espaço da mídia que os leitos de UTI, mas que estão fazendo um trabalho essencial. O estado de SP possui 63 CIR e foram realizadas reuniões com 62 destas, com presença maciça de gestores que narraram problemas enfrentados na pandemia, soluções encontradas, temores, fragilidades e potencialidades da AB. O GTAB avaliou o que está acontecendo nas UBS a partir das discussões com os municípios e houve consenso de que o trabalho das equipes da AB nessa pandemia é fundamental e os profissionais de saúde demonstram capacidade técnica e compromisso com os usuários, cuidando de maneira efetiva das pessoas. As condições no Brasil são extremamente adversas nesse momento da maior crise sanitária da nossa história com desfinanciamento federal do SUS, incapacidade do Ministério da Saúde de formular diretrizes para uma política nacional de enfrentamento da pandemia e a morosidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Mas, ainda assim, o COSEMS/SP considera que a existência do SUS e da AB é um diferencial que pode ter impacto positivo na pandemia. Aparecida Linhares Pimenta, secretária executiva do COSEMS/SP GETTY IMAGES Acesse o documento “Organização das ações na atenção primária à saúde no contexto da COVID-19” , produzido pelo COSEMS/SP em parceria com a SES-SP: https://bit.ly/2DdVs6E .
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