Atenção Básica - Vol.II

realizadas semanalmente, com 45 minutos de duração, participação voluntária de profissionais das áreas: fonoaudiologia, nutrição, psicologia, psiquiatria, serviço social e terapia ocupacional. Trata-se de um espaço em que os profissionais possam trazer discussões de casos, lidar com a subjetividade envolvida, trocar ideias e experiências, aumentar a capacidade de análise e intervenção. Os registros são realizados em livro ata, a cada encontro por um participante, e a reunião é sistematizada da seguinte forma: 1) informes, 2) leitura de ata anterior para possíveis correções e 3) discussão das pautas. Também são articuladas reuniões de rede com outros equipamentos de saúde, assistência social e educação, quando necessário, devido à alta complexidade dos casos. RESULTADOS Desde seu início foram realizadas 289 reuniões de equipe, com 215 pautas discutidas, 19 reuniões de rede e matriciamento. Já participaram da reunião de equipe: 1 assistente social, 2 enfermeiras, 4 fonoaudiólogas, 2 médicos (1 clínico, 1 psiquiatra), 1 nutricionista, 9 psicólogos, 1 psicopedagoga, 3 terapeutas ocupacionais, gerência administrativa e técnica. Dentre as pautas temos: casos clínicos (65 %); ações socioeducativas de promoção de saúde (9%); articulação de rede/matriciamentos (10%), grupos terapêuticos (8%), demandas técnico/administrativas (8%). Assim a equipe se compõe por um conjunto de profissionais considerados essenciais na condução de problemas de saúde dentro um certo campo. Para Cunha e Dantas (2013), é necessário aos profissionais disposição a “trabalhar em equipe e construir grupalidade” de tal forma que seja possível desenvolver a capacidade de lidar com as incertezas e desafios inventando novas maneiras de cuidado. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta equipe faz um movimento de olhar para aquilo que está motivando, deixando em aberto o raciocínio clínico. A tentativa é produzir contextos para que se movimentem nessas problematizações. Isso contribui para o aumento da potência da equipe, implica no questionamento do cuidado, colaboração e cooperação seus membros. Inúmeros são os desafios do trabalho no SUS, destacamos a atual necessidade de sensibilização dos demais profissionais para participação nos encontros, e a negociação do tempo de reunião. Porém, nos parece exitoso falar do aumento da capacidade da equipe de análise de coletivos e consequentes proposições eficientes, assim como a resistência dos profissionais em garantir esse espaço e acreditar na potência do trabalho em equipe. Certamente esta experiência não é estanque, mas nossa intenção é despertar indagações que possam fomentar novas ações no SUS. Referências Bibliográficas CAVALCANTI, Alessandra; GALVÃO, Cláudia. Trabalho em Equipe. In: CAVALCANTI, Alessandra; GALVÃO, Cláudia (org.). Terapia Ocupacional: Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. cap. 6, p. 35-37. ISBN 978-85-277-1285-9. CUNHA, Gustavo; DANTAS, Deivisson. Contribuição para a co-gestão da clínica: Grupos Balint-Paidéia. In: CAMPOS, Gastão; GUERRERO, André. Manual de Práticas de Atenção Básica: Saúde Ampliada e Compartilhada. 3. ed. São Paulo: Hucitec, 2013. cap. 2, p. 34-60. ISBN 978-85-60438-78-5. MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). RICARDO BARROS. Nº 2.436, 21 de setembro de 2017. Política Nacional de Atenção Básica, Brasília, 21 set. 2017. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/ prt2436_22_09_2017.html. Acesso em: 7 fev. 2020. ATENÇÃO BÁSICA 173

RkJQdWJsaXNoZXIy NjY5MDkx