Atenção Básica - Vol.II

METODOLOGIA É apresentada à equipe da UBS o grupo de convívio como um espaço de cuidado aos usuários com sofrimento emocional e disparado um convite para que os interessados pudessem participar a fim de, num primeiro momento, conhecer o grupo e, se houvesse o desejo, continuar no grupo como referência docuidado.Nestemomento, surgeodesejonamédicaclínicaemparticipar dosgrupos. Isso foi planejado devido à dificuldade na continuidade do cuidado dos usuários, bem como à pouca corresponsabilização da equipe da UBS referente a importância do grupo como mecanismo de cuidado, ou seja, não havia participação e entendimento da equipe e como consequência os usuários não chegavam. Dessamaneira, iniciou-se a participação da médica no grupo de convívio apenas com intuito de que a participação ampliasse sua visão acerca do espaço e pudesse referendá- lo aos seus pacientes como eficaz e efetivo. Contudo, mais do que essa compreensão é observada, mas é visto umengajamento damédica para que seus pacientes encaminhados chegassemao grupo, aomenos para conhecimento domesmo. O que, em poucos meses, gerou uma potencialização no quantitativo e assiduidade dos pacientes no grupo. RESULTADOS A partir das repetidas participações no grupo houve uma melhora nos níveis de discussões de caso e no entendimento acerca da grupalidade e sua potencialidade. Os usuários ao verem o próprio profissional que os encaminhou no grupo conseguiam se sentir mais integrados e apropriados ao espaço, uma vez que o profissional da UBS endossava aquele instrumento como parte fundamental e imprescindível no projeto terapêutico singular (PTS). O processo demudança na formatação do grupo foi gradual, partindo da equipe e depois chegou ao cuidado dedicado aos usuários. Porém como isso ocorreu num curto espaço de tempo devido ao comprometimento da equipe da unidade, houve um crescimento na adesão ao grupo de convívio. Com o aumento no número de usuários participantes no grupo ocorreu uma certa insegurança na equipe que não estava habituada. Entretanto com o passar do tempo e a vinculação com os usuários o cuidado terapêutico foi garantido. Diante de tal histórico foi possível observar que a equipe fora sensibilizada e estimulada a atuar de forma mais integral no campo da Saúde Mental, sendo mais empoderada e instrumentalizada para tal abordagem. Assim como houve expansão desse interesse e corresponsabilização para uma técnica de enfermagem que passou a integrar a equipe de profissionais de referência para o grupo. Alémdisso aumentar a efetividade do cuidado e o sentimento de pertencimento dos pacientes ao grupo de convívio. Trouxe tambémmelhorias nos quadros apresentados de saúde emocional pelos usuários. CONSIDERAÇÕES FINAIS Além dos resultados esperados o grupo de usuários expandiu esse cuidado para além da oferta dada pela unidade. Sendo assim, as relações e os vínculos entre os usuários foram fortalecidos e com isso a UBS cedeu o espaço físico da unidade para que ocorressem encontros nas semanas de intervalo entre os grupos de convívio. Atualmente é possível avaliar o quanto é importante a aproximação das equipes de saúde da Atenção Primária, ou seja, um entrosamento entre as equipes da UBS e NASF-AB, como forma de otimizar o cuidado e torná-lomais efetivo. Emsuma, implementar umespaço onde haja trocas de saberesmultidisciplinar e vínculos valoriza não só a equipe, como tambémo próprio usuário assistido por essas equipes. Referências Bibliográficas BRASIL. Ministério da Saúde. Núcleo de Apoio à Saúde da Família – volume 1: ferramentas para a gestão e para o trabalho cotidiano. Cadernos de Atenção Básica, n. 39. Brasília, DF, 2014. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, DF, 2012b. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Mental Cadernos de atenção básica, n 34. Brasília, DF, 2013. MIELKE, Fernanda B .; OLSCHOWSKY, Agnes. Ações emSaúdeMental na Estratégia Saúde da Família e as Tecnologias emSaúde. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, 15 (4):762-768. 2011. MINOZZO et al. Grupos de SaúdeMental na Atenção Primária à Saúde. Fractal: Revista de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, p. 323-340, mai-ago 2012. ATENÇÃO BÁSICA 46

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