Atenção Básica - Vol.II

“ACOLHIMENTO DOS USUÁRIOS NA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE: FOCO NA DEMANDA ESPONTÂNEA NO MUNICÍPIO DE LORENA-SP” Autores: Maria Carolina Codelo Martins Bastos Leite, Patricia Novaes Dornelas Instituição: Secretaria Municipal de Saúde de Lorena Município: Lorena CIR: Circuito da Fé e Vale Histórico Endereço: Rua Benedito Marcondes de Moura Sobrinho Telefone: 31593300 Celular: 996356227 Email: saude@lorena.sp.gov.br INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA Este é um Projeto de Intervenção para a Rede de Serviços de Saúde do município de Lorena- SP. Partindo do problema do alto fluxo da demanda espontânea, além de baixa resolubilidade das demandas trazidas pelos usuários, o projeto pretende trabalhar com esta demanda, visando reorganizar o processo de trabalho da equipe, numa perspectiva humanizadora, tanto para a equipe de trabalhadores como para o usuário. A partir dos nós críticos citados as ações propostas foram: 1) realizar oficinas comCoordenadores dos Serviços de Saúde; 2) incentivar a multiplicação das Oficinas nos locais de trabalho de cada Coordenador; 3) reorganizar o processo de trabalho voltado para o fluxo da demanda espontânea e 4) criar respostas alternativas para os usuários com demandas agudas que não se caracterizam como doenças. A realização deste projeto possibilita à Rede de Saúde oferecer ummodelo assistencial voltado para a pessoa, buscando um atendimento mais efetivo e satisfatório para a população, a partir da criação de alternativas de acolhimento e escuta qualificada ao usuário, proporcionando um processo de gestão mais participativo, coletivo e com educação permanente. Segundo a cartilha de Acolhimento do Ministério da Saúde (Brasil, MS, 2010) o acolhimento implica uma relação cidadã e humanizada, de escuta qualificada. Com base nesse conceito, o desenvolvimento do acolhimento como tecnologia fundamental para a reorganização dos serviços caracteriza-se como elemento-chave para promover a ampliação efetiva do acesso aos serviços de Saúde. O conhecimento sobre o acolhimento pode ressignificar o trabalho, representando uma relação prazerosa entre os trabalhadores e os usuários, que produz neste, a sensação de ser acolhido e de direito à saúde. De acordo como Ministério da Saúde (BRASIL, MS, 2010) é preciso não restringir o conceito de acolhimento a um problema da recepção da “demanda espontânea”, mas sim, tratá-lo como próprio a um processo de afetabilidade (aberto a alterações) como algo que qualifica uma relação e é, portanto, passível de ser apreendido e trabalhado em todo e qualquer encontro. O acolhimento na porta de entrada só ganha sentido se o entendemos como uma passagem para o acolhimento nos processos de produção de saúde. O acolhimento possui três esferas constitutivas: postura, atitude e tecnologia do cuidado; mecanismo de ampliação e facilitação do acesso; e dispositivo de (re) organização do processo de trabalho em equipe (BRASIL, 2010; BRASIL, 2011). Dessa forma, pode-se afirmar que o acolhimento é uma ação que deve existir em todas as relações de cuidado, no vínculo entre trabalhadores de saúde e usuários, na prática de receber e escutar as pessoas, e deve ser estabelecido como uma ferramenta que: possibilite a humanização do cuidado; amplie o acesso da população aos serviços de saúde; assegure a resolução dos problemas; coordene os serviços; e vincule a efetivação de relações entre profissionais e usuários. Neste sentido, pode-se afirmar que a prática do acolhimento está presente em todas as relações de cuidado e pode se configurar de diferentes formas dependendo de quem participa dos processos e de como e em que condições este processo se dá. ATENÇÃO BÁSICA 60

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