APRIMORAR O OLHAR E O CUIDADO: O ATENDIMENTO ÀS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA SEXUAL NA COORDENADORIA REGIONAL DE SAÚDE NORTE-SMS-SP (CRSN) Autores: Debora Dalonso Gamboa Peres, Rubia Marques, Jose Joaquim Rodrigues Filho, Flavia Helena Ciccone, Regina Maria Barbosa Chain, Teresa Cristina Fenerich de Moraes Instituição: Fundo Municipal de Saúde Município: São Paulo CIR: São Paulo Endereço: Rua General Jardim Telefone: 33972033 Celular: 931398875 Email: afastcursoscongressos@prefeitura.sp.gov.br INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA O Município de São Paulo (MSP), entre os anos de 2015 a 2019, registrou 11.714 notificações de violência sexual no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), sendo 86% em mulheres. O maior número de notificações ocorre na faixa etária de 0 a 18 anos (68%). A Coordenadoria Regional de Saúde Norte (CRSN) notificou 15,5% dos casos de violência sexual do total do MSP. O atendimento integral aos casos de violência sexual sempre foi uma preocupação das áreas técnicas: Atenção Integral a Saúde da Pessoa em Situação de Violência e Saúde da Mulher da CRSN. Considerando a importância do primeiro atendimento e a lei nº 12.845, de 01/08/2013, deve ser realizado o atendimento emergencial, integral e multiprofissional. Nos serviços da CRSN, o Ambulatório de Violência Sexual do Hospital Municipal Maternidade Escola Dr. Mario de Moraes A. Silva (HMMEC) apresentou relatos sobre mulheres que buscaram o serviço para a realização do aborto previsto em lei após violência sexual. São histórias de mulheres não acolhidas nos primeiros serviços que buscaram, encaminhadas a outros locais e assim desistiam de procurar atendimento por conta do sofrimento em repetir o discurso sobre a violência ocorrida. Outras mulheres por desconhecimento, medo, vergonha e/ou tristeza se isolavam e não procuravam ajuda, além daquelas que foram desacreditadas quando verbalizavam a violência sofrida. Profissionais dos Núcleos de Prevenção de Violência (NPV) das unidades de saúde da CRSN contam histórias de mulheres que sofreram durante anos com a violência sexual e não conseguiram verbalizar, hoje convivem com as consequências do sofrimento psíquico e o acompanhamento de infecções sexualmente transmissíveis. Outros relatos mostram a dificuldade de organização e insegurança dos serviços na oferta do atendimento emergencial. Diante da perplexidade dos dados, dos relatos sobre o percurso tortuoso a procura de atendimento, da constante revitimização, da dificuldade dos serviços em organizarem a oferta do atendimento integral, a CRSN através das áreas técnicas: Atenção à Pessoa em Situação de Violência, Saúde da Mulher, DST/AIDS, Assistência Farmacêutica e Vigilância de Violências elaboraram um plano de ação para superar os desafios no enfrentamento da violência sexual, articulação e integração dos serviços nos diversos níveis de atenção, visando oferecer atendimento humanizado e integral. OBJETIVOS Organizar e aprimorar a linha de cuidado para atendimento integral às pessoas em situação de violência sexual nos serviços de saúde da CRSN em todos os níveis hierárquicos da assistência. ATENÇÃO BÁSICA 83
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