Assistência Farmacêutica | Regulação e Redes de Atenção em Saúde

RESULTADOS No estudo foram analisados 189 partos realizados em Espírito Santo do Pinhal, no período de janeiro a maio de 2019, sendo, deste, 161 cesáreas. A proporção de cesarianas sobre o número total de partos no município durante o período do estudo foi de 85%. Todos foram classificados segundo a classificação de Robson dentro dos 10 grupos. A interpretação dos dados pode ser feita seguindo três passos divididos em três domínios segundo Robson (2017) • Qualidade dos dados • Tipo de população • Taxas de cesariana Para levantar o critério utilizado como justificativa para a realização de partos cirúrgicos e utilizar a Classificação de Robson, foi utilizado o domínio de taxas de cesariana. O mesmo ajuda a entender e comparar as taxas de cesáreas nos 10 grupos e a identificar os grupos que mais contribuíram para a taxa global de cesárea na sua população. Os grupos de Robson que mais contribuíram para a taxa de cesariana, tanto no setor público quanto no privado, foram: grupo 5 (cesariana anterior), grupo 2 (nulípara, termo, cesariana eletiva ou após falha na indução) e grupo 1 (nulípara, termo, início espontâneo), representando mais de 70% das cesarianas realizadas no município. De acordo com os resultados derivados da aplicação do modelo Robson no município, verificou-se que os grupos de baixo risco (grupos 1 e 2) representaram 34% do número total de cesáreas realizadas. Os resultados da frequência de cesáreas em mulheres grávidas consideradas de baixo risco, ou seja, categorizadas como grupo 5 com 73%, são superiores aos encontrados em um relatório da OMS, em um estudo realizado em 120 centros de obstetrícia, em 8 países da América Latina e que incluíram 97.095 mulheres; no qual as gestantes classificadas como de baixo risco para cesariana representaram 60% da proporção de cesáreas realizadas. No estudo em questão, a contribuição dos grupos 1 e 2 para a proporção de cesarianas foi de 5% e 23% respectivamente. Os grupos 1, 2 e 5 parecem ser os alvos potenciais para implementação de um processo de pesquisa de campo. Pela interpretação de Robson (2017) a taxa do grupo 3, usualmente não é maior que 3%. Neste estudo corresponde a 4%, porém, a contribuição global é de apenas 1%. A taxa do grupo 4 corresponde a 63%, de acordo com Robson (2017) altas taxas de cesárea neste grupo podem refletir alto desejo materno, seja por parto anterior traumático ou por desejo de laqueadura tubária por baixo acesso à contracepção. No grupo 5, taxas de 50-60% são consideradas apropriadas (Robson, 2017) neste estudo e representam 96%. De acordo com Robson (2017) se as taxas forem altas, possivelmente é devido a grupo 5 (mulheres com ≥ 2 cesáreas prévias) ser grande. Também pode ser decorrente de política de agendamento de cesárea com mulheres com uma cesárea previa sem tentativa de parto vaginal, o que é predominante no município. A contribuição relativa do grupo 5 para a taxa global de cesárea foi de 43%, representando quase metade de todos os partos cesáreos realizados no período. Este dado pode indicar que, em anos anteriores, a taxa de cesárea nos grupos 1 e 2 foi alta. Desde 2004, a ANS implementa estratégias para a redução de cesarianas na saúde suplementar, por meio do Programa de Qualificação. Em 2015, com a publicação da Resolução Normativa 368, a ANS adotou uma série de medidas em prol da melhoria da prática obstétrica, como a inclusão do cartão da gestante, do partograma e o detalhamento da taxa de cesarianas por operadora de saúde, estabelecimento e médico. Vários aspectos estão relacionados à escolha entre os dois tipos de parto, como a preferência das gestantes e profissionais, desfechos favoráveis de saúde e questões econômicas, pela diferença de custo entre os procedimentos. A taxa do grupo 8 usualmente é cerca de 60% (Robson, 2017). Variações dependerão do tipo de gestação gemelar e da razão de nulíparas/multíparas com ou sem cesárea previa. Sendo a taxa de cesárea deste grupo representada por 100%, e as gestações serem de gemelares. Sua contribuição relativa e absoluta é de apenas 2%. De acordo com PORTARIA Nº 306, DE 28 DE MARÇO DE 2016 do Ministério da Saúde que aprova as Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana. Em gestação gemelar não complicada cujo primeiro feto tenha apresentação cefálica, é recomendado que a decisão pelo modo de nascimento seja individualizada considerando as preferências e prioridades da mulher, as características da gestação gemelar (principalmente corionicidade), os riscos e benefícios de operação cesariana e do parto vaginal de gemelares, incluindo o risco de uma operação cesariana de urgência/emergência antes ou após o nascimento do primeiro gemelar. No caso de gestação gemelar não complicada cujo primeiro feto tenha apresentação não cefálica, a operação cesariana é recomendada. A taxa do grupo 10, na maioria das populações REDES DE ATENÇÃO 169

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