OBJETIVOS Demonstrar as vantagens do fracionamento de antimicrobianos dentro de programas para promoção do Uso Racional de Medicamentos, programas de gerenciamento de resíduos, e estratégia de redução de custos. METODOLOGIA O fracionamento de antimicrobianos foi realizado na UBS Jardim Colombo, administrada pela OSS SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, obedecendo ao regulamento técnico da RDC 80/2006 que institui as Boas Práticas para Fracionamento de Medicamentos em farmácias e drogarias, bem como a RDC 67/2007 que institui as Boas Práticas de Manipulação em Farmácias. Foram selecionados cinco antibióticos, sendo eles amoxicilina, azitromicina, cefalexina, ciprofloxacino e metronidazol. Estes medicamentos, além de apresentarem maior volume de dispensação, frequentemente resultavam em grandes sobras após o tratamento devido à quantidade de comprimidos no blister. Após seis meses do início do fracionamento, foi extraído relatório do sistema GSS referente à saída por período, que compreendeu agosto de 2019 até janeiro de 2020. Os dados foram compilados e comparados com o relatório de saída por período dos seis meses que antecederam o início do processo de fracionamento. RESULTADOS Foram atendidas 1084 prescrições contendo os antimicrobianos selecionados, sendo o mais prescrito deles a amoxicilina 429 (40%), com uma média de 23 comprimidos por receita, quando comparado ao período anterior (24), houve redução de 4%; o ciprofloxacino com 149 prescrições (14%) foi o medicamento que apresentou melhor resultado, de 20 para 15 comprimidos por receita, redução de 25%; metronidazol com 110 prescrições (10%) passou de 37 para 30 comprimidos por receita, representando a segunda maior queda (19%); azitromicina com 186 prescrições (17%), teve média de 5 comprimidos por receita contra 6 do período anterior, queda de 17%; por último, foram atendidas 210 receitas de cefalexina, com média de 31 comprimidos por receita, antes 32, redução de 3%. A quantidade total de comprimidos economizados com o fracionamento foi de 2340, sendo azitromicina 186 (8%); cefalexina 210 (9%); amoxicilina 429 (18%); ciprofloxacino 745 (32%); e metronidazol 770 (33%). Nota-se que apesar do ciprofloxacino e metronidazol terem sido os medicamentos menos prescritos, foram os que representaram o maior volume em quantidade de comprimidos economizados, tal fato se deve ao motivo de que muitas vezes, para algumas condições clínicas, esses medicamentos serem prescritos em dose única. Esse volume considerável que teria como destino a automedicação ou descarte inadequado, por mais que fosse descartado corretamente nas unidades de saúde, ainda devem ser levados em conta os custos com o processo de incineração arcado pelo município. Quanto à economia de recursos financeiros, considerando o valor unitário de cada comprimido, o total economizado foi de R$391,31, quase um terço desse valor foi referente ao ciprofloxacino (R$126,65; 32%); seguido por azitromicina (R$89,28; 23%); metronidazol (R$69,30; 18%); cefalexina (R$54,60; 14%); amoxicilina (R$51,48; 13%). A azitromicina, apesar de ter apresentado o segundo maior valor em economia, obteve a menor quantidade em comprimidos reduzidos, tal fato se deve ao seu alto valor unitário de R$0,48. CONSIDERAÇÕES FINAIS O fracionamento de antimicrobianos se mostrou uma estratégia promissora dentro de programas para oUsoRacional deMedicamentos,mostrando potencial na redução de gastos por complicações causadas por infecções multirresistentes, e os danos gerados ao meio ambiente por conta do descarte inadequado. Nesse sentido, tão importante quanto o fracionamento, são os programas de educação em saúde, com orientação adequada da população e capacitação das equipes de saúde, além da implantação do plano de gerenciamento do uso de antimicrobianos stewardship, estratégia necessária e igualmente eficaz no combate à resistência antimicrobiana. ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA 96
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