medicina nuclear em revista
| Jan • Fev • Mar 2013
27
na prática
concentrações muito pequenas esses
fármacos servem para “carregar” o
material radioativo até o seu alvo.
A maior parte da utilização de
radiofármacos, também conhecidos
como radiotraçadores é para diag-
nóstico emmedicina nuclear. Os
métodos mais tradicionais, como
cintilografia, empregam há muitos
anos o material radioativo, como o
iodo-131. E nos últimos 10 anos a téc-
nica de maior crescimento emprega-
da pela MN, para diagnóstico, é a
tomografia de emissão de pósitron,
e utiliza um radioisótopo de meia-
-vida muito curta: o fluor-18.
Panorama
O Brasil é bastante desenvolvido
nessa área e tem um potencial que
representa pelo menos 67% do mer-
cado sul-americano. A maior parte
da demanda nacional é atendida
pela Comissão Nacional de Energia
Nuclear (CNEN), autarquia do
Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT) à qual o Centro de
Desenvolvimento de Tecnologia
Nuclear (CDTN) está subordinado.
Até alguns anos atrás o CNEN deti-
nha o monopólio da produção e uso
de radioisótopos para marcar novas
moléculas por meio do Instituto de
Pesquisas Energéticas e Nucleares
(IPEN), de São Paulo - a grande uni-
dade de produção de material radio-
ativo no País -, e também pelo
Instituto de Energia Nuclear (IEN),
no Rio de Janeiro.
Autarquia estadual associada à
Universidade de São Paulo (USP) e
também gerenciada pelo CNEN, o
IPEN por meio do seu antigo
Departamento de Processamento de
Material Radioativo (TP), atual
Centro de Radiofarmácia (CR), é
reconhecido como uma instituição
pioneira na produção de radioisóto-
pos e radiofármacos no Brasil.
A produção experimental inicia-
da em 1959 com o radiofármaco
131
I,
usado para diagnóstico e terapia de
doenças da tireoide, foi fundamental
para a viabilização e consolidação da
medicina nuclear no País.
Subsequentemente, ao longo dos
anos, substâncias marcadas com
51
Cr
e
131
I, para o diagnóstico de diversas
funções do organismo humano,
foram preparadas com ótima aceita-
ção pela classe médica brasileira.
Produzidos hámais de 50 anos no
País, os radiofármacos eramum
monopólio do Estado, mas em 2006
houve uma flexibilização domonopó-
lio, especificamente para a produção e
comercialização de radiofármacos com
meia vida inferior a duas horas, ou
seja, para produtos como a glicose
marcada com flúor-18 (FDG-
18
F) ou
carbono - 11 e nitrogênio - 13, que
devem ser fabricados e entregues nos
hospitais emum intervalomuito curto
de tempo. ACNENnão conseguiria
atender a demanda brasileira, então
houve uma flexibilização domonopó-
lio para que empresas privadas tam-
bémo fizessem. Hoje ainda existe um
monopólio para produção e comercia-
Os ministérios da Saúde e da Ciência,
Tecnologia e Inovação assinaram um
acordo para fortalecer, modernizar e
qualificar as unidades de produção
de radiofármacos do Instituto de
Pesquisas Energéticas e Nucleares
(Ipen) e do Instituto de Engenharia
Nuclear (Ien). O objetivo do acordo é
adequar a infraestrutura da produção
de radiofármacos às normas de
fabricação da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa).
Realizado no âmbito do Programa
para o Desenvolvimento do
Complexo Industrial da Saúde
(Procis), o acordo prevê um investi-
mento de R$ 27 milhões, sendo
R$ 17,5 milhões para o Ipen e R$ 9,5
milhões para o Ien. O valor total foi
repassado em duas parcelas progra-
madas para setembro 2012 e janei-
ro 2013, respectivamente.
O acordo foi assinado na solenida-
de de comemoração dos 56 anos
de criação do Ipen, no dia 31 de
agosto do ano passado. Durante o
evento, também foi assinado um
convênio entre a Secretaria de
Desenvolvimento Econômico,
Ciência e Tecnologia do estado, o
Ipen e a Comissão Nacional de
Energia Nuclear (CNEN), pelo qual
o governo de São Paulo se com-
promete a investir um total de
R$ 18,8 bilhões, nos próximos
25 anos no instituto.
Fonte: Brasil Nuclear - Informativo
da Associação Brasileira
de Energia Nuclear
Governo investe
emradiofármacos