Página 24 - Medicina Nuclear em Revista N

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Abr • Mai • Jun 2013 |
medicina nuclear em revista
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na prática
clínica. “Por meio dele, é possível
avaliar a capacidade funcional da
artéria coronária e diagnosticar se
há isquemia de estresse induzida e
sua quantificação”, explica. Segundo
o médico nuclear, esse diagnóstico é
determinante para a escolha da tera-
pia mais adequada.
Na opinião de Soares, que tam-
bém é ex-presidente da SBMN, a evo-
lução do diagnóstico e tratamento das
cardiopatias está atrelada ao desen-
volvimento da medicina nuclear, e os
principais avanços ocorreram tanto
no campo de radiofármacos quanto
de equipamentos. A introdução do
sestamibi marcado com tecnécio-99m
no final da década de 1980, por exem-
plo, permitiu a realização de exames
commelhor qualidade técnica e
investigação da função ventricular
simultaneamente à avaliação da per-
fusão miocárdica (Gated-SPECT).
Em paralelo, Soares ressalta a evolu-
ção dos equipamentos planos para
tomográficos: “Foi um salto para a
melhora da resolução e da qualidade
das imagens que, consequentemente,
aperfeiçoou a qualidade das informa-
ções oferecidas aos cardiologistas
sobre as cardiopatias”.
Ainda de acordo com ele, a medi-
cina nuclear convencional acoplada à
tomografia computadorizada, por
meio de equipamentos híbridos de
SPECT/CT, também representa
avanço significativo para a cardiolo-
gia nuclear, pois a tecnologia possibi-
lita a realização de exames de TC,
como score de cálcio coronário, e de
perfusão miocárdica pela medicina
nuclear simultaneamente.
Outro salto tecnológico foi a intro-
dução de equipamentos PET e, recen-
temente, os híbridos PET/CT, que
permitem a realização simultânea
desses exames e tomografia computa-
dorizada. Segundo o médico nuclear,
Na
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a
Jornada Paulista de Radiologia,
realizada na capital paulista entre 2 e
5 de maio, José Soares Jr. ministrou
palestra sobre
PET/CT com 18F-FDG na
Avaliação de Processos Inflamatórios e
Infecciosos do Sistema Cardiovascular.
“O exame PET/CT com FDG-F18 é
capaz de avaliar a atividade inflama-
tória e a presença de inflamação e/ou
infecção nas válvulas cardíacas que
constituem a endocardite infecciosa”,
explica Soares.
Segundo ele, a equipe tem estudado
muitos casos de pacientes com sus-
peita de endocardite infecciosa no
InCor com o PET/CT, cujos resultados
são bastante animadores e auxiliam
no diagnóstico da patologia. O médico
nuclear destaca ainda que o exame
permite o diagnóstico de infecção de
próteses vasculares com bastante
acurácia: “Acredito que ele tem grande
potencial para a detecção dos proces-
sos infecciosos cardiovasculares e que,
por isso, seu uso clínico como ferra-
menta diagnóstica nessas situações
se tornará cada vez maior”.
José Cláudio Meneghetti destaca que
o InCor está em fase de pesquisa com
o radiofármaco rubídio-82 na obten-
ção de estudo de perfusão miocárdica
e medida absoluta do fluxo coronaria-
no e sua reserva em ml/g/min nas
principais artérias do coração. Segundo
ele, esse estudo é mais sensível e
específico que o SPECT, apesar de o
custo ainda estar alto para os padrões
da medicina nacional. “Até o final de
2013 poderemos avaliar sua aplicação
em todo o País com dados sobre seu
custo e efetividade”, prevê Meneghetti.
PET/CT com FDG-F18
Fachada do InCor-HC-FMUSP
© HCFMUSP • Divulgação