[
7
]
A contraindicação tem base na re-
comendação de respeitadas instituições
nacionais e estrangeiras, entre elas a
United States Preventive Services Task
Force (USPSTF), o Ministério da Saúde e o
Instituto Nacional de Câncer (Inca). Desde
2013, o instituto brasileiro recomenda que
os homens que demandassem esponta-
neamente a realização de exames de ras-
treamento fossem informados sobre os
riscos e benefícios associados a essa prá-
tica. Segundo o Inca, “existem evidências
científicas de boa qualidade de que o ras-
treamento do câncer de próstata produz
mais dano do que benefício”. O diretor de
Comunicação da SBMFC, Rodrigo Bandeira
Lima, explica: “Assim como nós, o Instituto
entende que os benefícios não compensam
em relação aos potenciais malefícios, como
falso-positivo, efeitos colaterais das bióp-
sias e cirurgias desnecessárias”.
Isso não significa, porém, que os exa-
mes não sejam pedidos por médicos em
investigações ou para homens que já es-
tejam completamente esclarecidos sobre
os possíveis riscos envolvidos. “Pode haver
exceções, mas não podemos fazer um es-
tímulo populacional, midiático e ostensivo
para esse tipo de prática”, esclarece o autor
principal do posicionamento da SBMFC,
Antonio Augusto Modesto.
Segundo ele, é preciso incentivar a
atenção às diversas necessidades de saú-
de do homem. A mortalidade por causas
externas, o tabagismo e os outros tipos
de cânceres são alguns desses problemas.
Segundo Modesto, os serviços de saúde
precisam pensar se estão se organizando
de forma a superar as dificuldades en-
frentadas pelos homens. “Considerando a
quantidade de problemas de saúde mascu-
lina, me parece que uma campanha com
foco no incentivo ao rastreamento do cân-
cer de próstata não seja a melhor forma de
abordagem. Melhor seria se os serviços de
saúde se preparassem para receber os ho-
mens, inclusive nas dificuldades de cuida-
do, de maneira mais regular”, diz.
Evidências científicas
Uma das razões para contraindicar o ras-
treamento para câncer de próstata é o fato
de os testes para dosagem do PSA e a rea-
lização de toque retal não conseguirem
mostrar a diferença entre cânceres agres-
sivos e problemas sem gravidade. A impo-
tência sexual – que atinge cerca de 50% dos
homens que tiram a próstata, segundo o
European Study of Screening for Prostate
Cancer – e a incontinência urinária são as
mais graves sequelas dos tratamentos do
câncer de próstata não agressivo. “Os riscos
das sequelas por causa de uma interven-
ção que não parece modificar a saúde dos
homens tornam o rastreamento desacon-
selhável”, diz o diretor de Comunicação da
SBMFC. Além disso, estudos realizados por
mais de 10 anos, acompanhando milhares
de homens, mostram que a realização do
PSA - com ou sem toque retal – resultou
em uma taxa insignificante de diminuição
na mortalidade geral dos homens e muda




