#congressocosemssp2024 Até 2030, as consequências dessas alterações no clima provocarão gastos com saúde de até US$ 4 bilhões por ano de acordo com dados recentes da OMS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E OS DESAFIOS PARA O SUS Não resta dúvida dos impactos que as mudanças climáticas tem causado no mundo. Alterações nos padrões de precipitação das chuvas, aumento do nível do mar, derretimento de geleiras, aumento de doenças infecciosas, aquecimento dos oceanos e eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos, como secas e enchentes, são apenas algumas das mudanças que já afetam milhões de pessoas. Estas alterações são consideradas por cientistas como a maior ameaça global para a saúde do século 21. No Brasil, o assunto é uma das prioridades para o Ministério da Saúde que, em janeiro deste ano, criou um grupo de trabalho para elaborar o Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima. Composto por membros de todas as secretarias do Ministério da Saúde, poderão participar das reuniões como convidados especiais membros de outros órgãos e entidades, públicos ou privados, bem como representantes de movimentos sociais e especialistas. O assunto precisa urgentemente da atenção de todos os gestores. Uma projeção da plataforma AdaptaBrasil, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica que os riscos apresentados pelas mudanças climáticas podem causar um aumento de vetores causadores de doenças como dengue, zika e chikungunya. E de que forma as mudanças climáticas têm impactado os sistemas de saúde e assistência à população? Os números preocupam. Dados do relatório “Lancet Countdown” de 2023, baseados na experiência de 114 cientistas e profissionais de CAPA saúde de instituições e agências da ONU no mundo, apontam que os sistemas de saúde estão cada vez mais sobrecarregados por causa dos impactos causados pelas alterações climáticas. De acordo com dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), as consequências dessas alterações também provocarão gastos com saúde de até US$ 4 bilhões por ano até 2030. Debate mais do que urgente Compreender essas mudanças climáticas e os impactos no Sistema Único de Saúde (SUS) é objeto de discussão do Congresso do COSEMS/SP deste ano. “Muitos relatórios indicam que os sistemas de saúde pelo mundo estão sobrecarregados por causa das alterações climáticas. No Brasil, temos aqui a questão do subfinanciamento histórico do SUS. Precisamos fortalecer os sistemas de saúde para enfrentar a crise climática e garantir a segurança sanitária, considerando o fator clima na formulação de políticas públicas de saúde. Promover este debate em nosso congresso é importante e urgente para os gestores municipais”, afirma o presidente do COSEMS/ SP, Geraldo Reple. Ainda de acordo com o relatório “Lancet Countdown” de 2023, apesar da urgência, os esforços no mundo para mitigar as emissões de combustíveis fósseis e reduzir os impactos na saúde têm sido insuficientes. Um dos convidados no congresso na Grande Conversa sobre mudanças climáticas e impacto no SUS, o professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Ladislau Dalbor, avalia que 4 Abril | 221
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