ABHH em Revista #11/2024

A ciência é uma das paixões da médica imunologista, professora e pesquisadora Ester Sabino, de 64 anos. Doutora em Imunologia e Livre Docência em Clínica Médica pela Universidade de São Paulo (USP), ela é pesquisadora pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Suas pesquisas focam em epidemias (HIV, arbovírus, SARS CoV-2 e segurança de transfusão sanguínea), e ela trabalha ainda com biomarcadores com foco em doença de Chagas e anemia falciforme. Em 2020, Ester ganhou notoriedade por ser uma das cientistas à frente do sequenciamento genético da Covid-19 no Brasil, realizado em apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso da doença, fazendo parte de uma geração de mulheres que escreveu seu nome na ciência brasileira. Seu nome, aliás, batizou o Prêmio Ester Sabino, lançado em 2021 pelo Governo de São Paulo e Academia de Ciências do Estado de São Paulo para homenagear mulheres pesquisadoras do estado. Mas qual é a história dessa paulistana, nascida no bairro da Aclimação, na capital paulista, até o reconhecimento como uma das 20 Mulheres de Sucesso do Brasil em 2021 segundo a revista Forbes? A filha do cirurgião Emil Sabino e da pediatra Stella Cerdeira lembra das dificuldades para fazer ciência no Brasil no início da carreira. “Tudo era difícil. Não tinha dinheiro e orientador porque foram embora do Brasil depois da ditadura civil- -militar de 1964. Após todo esse tempo, as coisas melhoraram para quem é cientista, mas as oportunidades para homens e mulheres não são iguais. Mulheres cientistas passam por obstáculos maiores que os homens”, afirma Ester, que atualmente é professora titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP. Voltando mais no tempo, Ester se recorda da infância tranquila, marcada pelas viagens da família pelo país a bordo do carro alemão Vemaguet, das aulas de piano com a avó, da natação e de muito, muito estudo. Cercada pela medicina, com pais, avô e alguns tios médicos, ela não se lembra de desejar seguir outra carreira que não a de médica. Não à toa, o vestibular não foi difícil e ela entrou na USP, onde se formou em 1984, completando 40 anos de medicina este ano. Bolsa nos Estados Unidos Assim que encerrou a graduação, a pós-graduação escolhida seria em virologia, mas Ester conta que não havia orientadores nessa área e por isso optou pela especialização em imunologia. E, diferentemente de seus pais, que trilharam a medicina nas áreas de clínica e cirurgia, Ester sabia que seu futuro estava dentro dos laboratórios. “Fiz residência em pediatria e, nos primeiros seis anos da minha carreira, dei plantões em um hospital na cidade de Ferraz de Vasconcelos, em São Paulo, e também no bairro do Mandaqui, na zona norte da capital paulista. Isso para conseguir me manter, afinal, a área de pesquisa sempre pagou pouco”, afirma. No início da década de 1990, Ester iniciou suas pesquisas relacionadas ao HIV por ser uma área em que havia mais recursos para trabalhar. No laboratório do Instituto Adolfo Lutz, onde ficou por 10 anos, Ester participou do sequenciamento das variedades de HIV encontradas no Brasil, e foi nesse período que teve certeza de que aquela seria a sua área. Em 1991, com uma bolsa da Fundação Fogarty, ela embarcou para os Estados Unidos onde trabalhou com HIV no banco de sangue que, na época, se chamava Irwin Memorial Blood Center — hoje Vitalant Research Institute, em San Francisco (EUA). No treinamento, que durou até 1993, Ester teve a oportunidade de trabalhar com Michael Busch, um 11 / 2024 ABHH em Revista 29 A pesquisa em banco de sangue abrange áreas muito diferentes, desde a área tecnológica, de desenvolvimento de testes, à biologia molecular, como também à parte social de compreender o doador, a motivação, de entender a regulamentação, por fim, a área vai da epidemiologia à tecnologia

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