ABHH em Revista #11/2024

Mais mulheres na ciência Desde seu protagonismo com o sequenciamento do genoma do novo coronavírus, Ester ganhou inúmeros reconhecimentos. Em 2021, Ester se tornou membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), entidade que divulga e fomenta a produção científica no Brasil desde 1916. “Sempre fiz pesquisa aplicada em instituições mais dedicadas à prática, mas depois que entrei na Faculdade, minha produção aumentou muito. Fazer parte do grupo da Academia Brasileira de Ciências tem muito a ver com essa melhoria na minha produção, muito devido à Faculdade de Medicina da USP”, disse a pesquisadora em sua nomeação. Também em 2021, Ester recebeu a Medalha Armando Salles Oliveira, a mais alta honraria concedida pela USP e que homenageia pessoas, entidades e organizações que contribuíram para a valorização institucional, cultural, social e acadêmica da USP. Ainda naquele ano, ela ganhou o prêmio honorário do Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos Unicamp-Vladimir Herzog, em reconhecimento a sua contribuição em pesquisas para os Direitos Humanos. Já em 2022, ela foi reconhecida no Prêmio Ruth Sonntag Nussenzweig. Criado pela Câmara Municipal de São Paulo, o prêmio é concedido a mulheres cientistas, médicas ou profissionais da saúde que se destacaram no setor de pesquisa científica ou avanço da medicina. O reconhecimento também veio do mundo dos gibis: Ester e a bioquímica Jaqueline Goes de Jesus foram homenageadas e viraram personagens da Turma da Mônica. “Achei muito legal principalmente se ajudar que as crianças comecem a ver mais o papel dos cientistas”, diz. A divulgação científica tem sido um campo de atuação para ela desde então. Ela é fonte frequente de entrevistas em sites e programas de TV para falar de ciência com a população. “O que eu percebo é que o cientista tem que começar a aprender a falar com o público. E a gente tem que fazer com que o público se interesse por ciência e o jovem se interesse pelo cientista”, afirmou em entrevistas. Mesmo em meio aos desafios de fazer ciência no Brasil, Ester reafirma o orgulho da carreira, afirma que deseja alcançar mais e torce para que mais mulheres cientistas sejam reconhecidas. “Tenho sorte de trabalhar no que gosto. Atualmente trabalho com patologia molecular, mas, nos próximos anos, quero trabalhar mais com inovação, desenvolvendo produtos diagnósticos e novas tecnologias. Quando recebi a Medalha Armando Salles Oliveira, das doze medalhas anteriores, apenas uma mulher havia sido condecorada. Torço para que cada vez mais mulheres sejam reconhecidas por seu papel na ciência e que ocupem mais cargos de liderança.” Rovena Rosa/Agência Brasil Afonso Braga 11 / 2024 ABHH em Revista 31 Recebendo o Prêmio Ruth Sonntag Nussenzweig, dado pela Câmara Municipal de São Paulo em 2022 A pesquisadora em conversa com alunas no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP)

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