ABHH em Revista #11/2024

Meu pai tinha no Rio de Janeiro um laboratório de patologia clínica, hoje de medicina laboratorial. E eu ia com ele para o laboratório. Desde pequeno, me acostumei com essa rotina, principalmente a lidar com o hemograma Aos 65 anos de idade, o Prof. Dr. Angelo Maiolino encara pelos próximos dois anos talvez o maior desafio da sua carreira profissional: liderar a ABHH, uma das principais entidades de especialidades médicas do Brasil e reconhecida internacionalmente. Experiência esse hematologista, que é natural da cidade do Rio de Janeiro, tem de sobra. Além de atuar em diversas diretorias e comitês dentro da ABHH nos últimos anos, Maiolino é professor de Hematologia do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica da instituição. Na carreira privada, ele é atualmente o coordenador de Hematologia do Oncologia Americas do Rio de Janeiro e pesquisador do Instituto Americas. Além disso, Maiolino é reconhecido como especialista em mieloma múltiplo, coordenando a linha de pesquisa nessa área na UFRJ e também na qualidade de vice-presidente do Grupo Brasileiro de Mieloma Múltiplo (GBRAM). Na entrevista a seguir, o novo presidente da ABHH destaca o protagonismo da entidade na área científica e afirma que aprimorar a atuação social da ABHH será crucial. Uma iniciativa nesse sentido foi a criação da Diretoria de Ações Sociais. “Queremos que a ABHH seja um exemplo até para as outras Sociedades de especialidades médicas no sentido de entender que nossa atuação é científica, mas tem um profundo impacto social no sentido mais amplo da palavra”, explica. Confira! O senhor esperava chegar à presidência da ABHH? Qualquer diretor que atue hoje na associação tem essa vontade. Sempre trabalhei muito para a ABHH e a presidência aumentou mais ainda esta dedicação. Nesse sentido, me sinto realizado. Tracei um longo caminho profissional na UFRJ, onde sou professor. Estruturamos o transplante de medula óssea do Hospital Universitário em 1994, fui Chefe de Serviço de Hematologia e Vice-Diretor do Hospital. E aí chego à presidência da ABHH, em que posso oferecer minha experiencia acadêmica e a experiência como gestor acumulada nestes anos de ABHH, conhecendo de perto a associação. Sei que tenho uma grande responsabilidade nos próximos dois anos. Quais planos o senhor pretende imprimir nestes dois anos? Desde sua criação, a ABHH está a serviço dos hematologistas e hemoterapeutas do Brasil, mas entendemos que hoje a sociedade médica tem uma abrangência de atuação muito maior do que quando foi criada, se expandindo em vários aspectos. Atualmente, a ABHH atua em diversos campos com padrão de excelência em atividades científicas e de defesa profissional. O HEMO, por exemplo, é um destaque porque se tornou, ao longo do tempo, o maior congresso da especialidade do Hemisfério Sul e o terceiro maior do mundo. Desconheço outra sociedade médica que tem uma estrutura não terceirizada e que organiza um congresso com mais de sete mil participantes. Também ampliamos muito a atuação da ABHH com a criação do Comitê de Acesso a Medicamentos e Tecnologias, em 2018, e com a criação do Programa de Equidade, em 2021. São duas atuações nossas muito complementares. Há um reconhecimento por todos os players da área de saúde, incluindo governos, entidades de pacientes, indústria farmacêutica e os hematologistas e hemoterapeutas de que a ABHH assumiu um protagonismo de atuação nessa área social, que inclusive se tornou uma das nossas missões: prezar pela qualidade e equidade no tratamento dos pacientes e nos serviços da especialidade. Esses dois anos buscarão consolidar este papel social da ABHH? Eu gostaria muito que isso fosse consolidado nesse período. A ABHH hoje ocupa um espaço que é muito significativo. Acredito que a ampla maioria dos hematologistas e hemoterapeutas brasileiros apoiem nossas ações, mas precisamos ampliar mais essa comunicação e explicar a importância dessas ações sociais. Esse é um dos nossos papéis como sociedade médica, e por isso até criamos a Diretoria de Ações Sociais, liderada pelo Dr. Jorge Vaz e pela Dra. Violete Laforga. Esse é um ponto no qual acredito que possamos ampliar bastante a nossa área de ação. Porém, em paralelo, não podemos esquecer que temos também a responsabilidade de elaborar documentos científicos e consensos. Temos sido muito demandados nesse sentido. O Ministério da Saúde tem buscado recorrentemente a posição da ABHH sobre determinados assuntos. Penso que podemos ter um programa mais estruturado para os comitês científicos executarem esses consensos. Se conseguir isso nesses dois anos, eu realmente ficaria muito feliz. No geral, qualquer ação da ABHH, da área científica à social, é sempre pensando no cuidado dos pacientes. 11 / 2024 ABHH em Revista 7

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