12 / 2024 ABHH em Revista 15 Apesar de ser considerado um tipo de doença rara – 1% de todos os tipos de câncer e cerca de 12 a 15% das neoplasias hematológicas – o mieloma múltiplo é uma doença que vem ganhando muita relevância. Uma série de tratamentos inovadores estão mudando a história natural dessa doença. Quando comecei a trabalhar com mieloma, vivíamos um cenário muito obscuro em relação à questão do tratamento. As opções eram extremamente limitadas. Tínhamos o melfalano e a combinação de poliquimioterapia, particularmente, o esquema VAD (vincristina, adriblastina e dexametasona). Depois veio o transplante autólogo de medula óssea, que foi, sem dúvida nenhuma, uma revolução no tratamento do mieloma, mas que não era para todos os pacientes. Pacientes mais idosos, acima de 75 anos, não podiam receber o procedimento pelo grau de toxidade. Mas o transplante foi o início de um processo de evolução e revolução no tratamento e ainda hoje é uma ferramenta muito importante para o tratamento do mieloma. Na sequência, tivemos as aprovações regulatórias dos medicamentos mais inovadores, drogas alvo, pertencentes a três grandes classes: Inibidores de Proteassoma (bortezomibe, carfilzomibe e ixazomibe); Imunomoduladores (talidomida, lenalidomida e pomalidomida) e a terceira classe que que são os anticorpos monoclonais: o anti-CD 38, representado pelo daratumumabe e isatuximabe; e o anti-SLAMF7, representado pelo elotuzumabe. Mais recentemente foram aprovados os tratamentos à base de anticorpos biespecíficos (teclistamabe, elranantamabe e talquetamabe) e o ciltacabtagene autoleucel (Cilta-Cell), que é o primeiro CAR-T Cell para mieloma múltiplo aprovado no Brasil. Esse conjunto de medicamentos já estão aprovados, e em sua grande maioria são disponibilizados para os pacientes do sistema privado de saúde. Existem dificuldades relacionadas ao acesso também no sistema privado, mas quando olhamos para o sistema público de saúde, há uma enorme disparidade. Destes medicamentos inovadores, foram incorporados ao SUS a talidomida, aprovada há mais tempo e o bortezomibe, aprovado há quatro anos. Sem dúvida foi um grande avanço ter o bortezomibe, e aqui é preciso enaltecer o papel decisivo da ABHH e seu comitê de acesso para fazer com que o bortezomibe chegasse aos pacientes do sistema público de saúde. Recentemente conseguimos incorporar o carfilzomibe, mas ainda não foi aprovada a APAC que vai determinar o reembolso. Podemos perceber, assim, um grande desequilíbrio entre os sistemas de saúde. A luta para a aprovação das medicações no Brasil para os pacientes com mieloma múltiplo continua e a ABHH trabalha para que haja esse equilíbrio e equidade. Acesso a tratamentos inovadores para mieloma múltiplo no Brasil a r t i g o Quando comecei a trabalhar com mieloma, vivíamos um cenário muito obscuro em relação à questão do tratamento. As opções eram extremamente limitadas Dr. Angelo Maiolino Presidente da ABHH e professor de Hematologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 12 / 2024 ABHH em revista
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