As mulheres têm menos acesso a bolsas de produtividade nível 1A, aos grandes editais temáticos e a recursos essenciais para consolidar liderança na ciência Dra. Fernanda Orsi, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico ABHH em Revista 14 / 2025 24 Ciência ainda desigual Embora haja um número crescente de pesquisas científicas conduzidas por mulheres, o público feminino ainda é minoria como autor principal em revistas de alto impacto. O estudo “Race/Ethnicity and Gender Representation in Hematology and Oncology Editorial Boards: What is the State of Diversity?”, publicado na revista The Oncologist, em 2023, revelou que conselhos editoriais de periódicos de hematologia e oncologia seguem predominantemente masculinos. “Estudos mostram que artigos com autoras mulheres são, em média, menos citados do que os de autores homens, o que afeta as métricas de produtividade. Além disso, as pesquisadoras tendem a submeter menos artigos ou a submetê-los tardiamente por insegurança. Grupos homogêneos tendem a repetir ideias, tornam-se menos criativos e apresentam menor capacidade de resolução de problemas, limitando o progresso científico de várias formas”, comenta a Dra. Juliana Lima, hematologista, pesquisadora e presidente da Academia Paranaense de Hematologia. A hematologista Fernanda Orsi, pesquisadora PQ-2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), conhece de perto os obstáculos enfrentados por mulheres na ciência. Entre os primeiros desafios, estavam a conquista de credibilidade e o esforço constante para ser levada a sério. Outro desafio, relata, era ser indicada ou convidada para atividades de pesquisa, cargos em revistas científicas, comissões, agências de fomento e grupos de estudo. “Comecei a encontrar um ambiente de maior acolhimento, reconhecimento e estímulo ao meu potencial como pesquisadora apenas quando escolhi uma mulher como orientadora de doutorado”, conta. Professora na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e hematologista no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), a pesquisadora avalia que a trajetória da mulher na ciência tende a ser mais lenta, ocupando menos posições de liderança.” As mulheres têm menos acesso a bolsas de produtividade nível 1A, aos grandes editais temáticos e a recursos essenciais para consolidar liderança na ciência. “Esses recursos, fundamentais para consolidar lideranças e estruturas de pesquisa, são menos acessíveis para as mulheres, o que reforça desigualdades históricas”, afirma a hematologista. “Promover equidade no acesso a cargos de liderança na pesquisa é essencial para impulsionar, de forma justa e sustentável, o avanço da carreira científica das mulheres”, defende. em perspectiva Foto: Divulgação
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