Estudos mostram que artigos com autoras mulheres são, em média, menos citados do que os de autores homens, o que afeta as métricas de produtividade Dra. Juliana Lima, presidente da Academia Paranaense de Hematologia 14 / 2025 ABHH em Revista 25 Ser mãe ou ser cientista? Entre os desafios que atingem especialmente as mulheres cientistas, a maternidade se destaca. A gestão do tempo, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, e a desigualdade salarial são obstáculos concretos. “Muitas vezes, a mulher precisa escolher entre avançar na carreira acadêmica ou assumir um cargo de liderança”, pontua a Dra. Violete. Ainda pouco debatido, o impacto da maternidade na carreira científica tem efeitos mensuráveis. Uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que mães cientistas apresentam maior vulnerabilidade à depressão, reflexo do acúmulo de tarefas domésticas e responsabilidades familiares. Os dados foram apresentados na dissertação de mestrado “O impacto da maternidade na saúde mental da comunidade acadêmica: identificando vulnerabilidades”, da pesquisadora Sarah Rocha Alves. Durante seu doutorado, a Dra. Fernanda Orsi teve dois filhos e atribui o sucesso de sua tese, em grande parte, à compreensão e apoio da sua orientadora. “Sem esse suporte, talvez eu tivesse desistido não apenas do doutorado, mas, principalmente, da carreira acadêmica. No pós-doutorado, também tive uma orientadora mulher. Mudei-me para o exterior com minha família, filhos pequenos, enfrentando o desafio de organizar a vida de todos em um país novo, enquanto desenvolvia meu projeto de pesquisa. O acolhimento dessa orientadora no exterior foi fundamental para o êxito do meu trabalho”, relata. Infelizmente, ainda é comum que cientistas brasileiras em início de carreira enfrentem interrupções durante a maternidade, o que afeta diretamente sua produtividade. Por isso, é fundamental implementar estratégias como horários flexíveis, licenças-maternidade adequadas e redes de apoio que facilitem a conciliação entre a vida acadêmica e a maternidade. “Precisamos de políticas concretas de equidade, com incentivos à pesquisa por meio de linhas de financiamento exclusivas para mulheres, além de estruturas de apoio à maternidade, combate ao viés e ao assédio, e programas de mentoria. O suporte à maternidade durante a carreira acadêmica é essencial”, reforça a Dra. Juliana Lima. Foto: Divulgação
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