ABHH em Revista 14 / 2025 26 Mulheres líderes inspiram mulheres Apesar do cenário ainda desigual que reflete uma combinação de barreiras estruturais, institucionais e socioculturais, há histórias que inspiram. Ao revisitar sua trajetória, a Dra. Fernanda Orsi volta a destacar o impacto que teve o apoio de suas orientadoras durante o doutorado e o pós-doutorado. Ter mulheres como mentoras fez diferença não apenas no desenvolvimento acadêmico, mas também na confiança para seguir na carreira. “Sem esse suporte, talvez eu tivesse desistido não apenas do doutorado, mas principalmente da carreira acadêmica”, afirma. Hoje ela procura retribuir esse acolhimento oferecendo às suas orientandas um ambiente de escuta, incentivo e empatia. Para a pesquisadora, promover o acesso equitativo das mulheres a cargos de liderança é essencial para um desenvolvimento científico sólido e duradouro. Embora o número de mulheres hematologistas seja superior ao de homens, essa representatividade ainda não se reflete nos espaços de decisão como sociedades e comitês científicos que influenciam as diretrizes da especialidade seguem, majoritariamente, sendo liderados por homens, principalmente nos cargos de maior influência. O mesmo cenário se repete nas indicações para representar a área junto a agências de fomento e instâncias estratégicas. “A presença de mulheres na liderança de qualquer sociedade traz um peso importante. A representatividade é algo que traz para outras colegas a certeza de que não estamos sozinhas e que nossas demandas poderão ser atendidas, pois tem alguém ali que entende um pouco melhor dos nossos anseios e desejos, além das nossas necessidades”, acrescenta a Dra. Juliana Lima. Como diretora de Ações Sociais da ABHH, a Dra. Violete chama a atenção para um dado que evidencia a importância dessa transformação: entre as 47 pesquisas registradas na plataforma da associação, apenas 36,2% são lideradas por mulheres, enquanto 63,8% ficam sob comando masculino. Esse cenário contrasta com a realidade da hematologia no Brasil, onde 65,2% dos especialistas são mulheres, segundo a Demografia Médica 2025. “Essa disparidade limita a diversidade de perspectivas, algo essencial para a inovação e a relevância da ciência”, afirma. Para ela, promover a inclusão equitativa das mulheres na liderança científica, dos estudos clínicos aos altos postos em sociedades científicas, é fundamental para enriquecer o debate, ampliar o impacto das descobertas e promover mais justiça e diversidade no campo da hematologia. “A equidade de gênero é um caminho sem volta e passo essencial para construir uma ciência mais justa e diversa.” em perspectiva A equidade de gênero é um caminho sem volta e passo essencial para construir uma ciência mais justa e diversa Dra. Violete Petitto Laforga, diretora de Ações Sociais da ABHH Foto: Divulgação
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