A trajetória da Dra. Vania Hungria, por sua vez, soma mais de quatro décadas dedicadas principalmente ao mieloma múltiplo. Diretora médica na Clínica São Germano e professora adjunta de hematologia na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, ela participa de estudos clínicos sobre a doença como investigadora desde 1998. A escolha por essa área nasceu justamente da realidade que encontrava no atendimento. “Naquela época, na década de 1980, não tínhamos bons tratamentos para pacientes com mieloma. Decidi que precisava mudar essa realidade para ajudar esses pacientes”, afirma. A realidade que motivou essa escolha mudou profundamente ao longo das décadas. Quando ela começou a cuidar de pessoas com mieloma, a sobrevida global era, em média, de dois a três anos e havia poucas opções terapêuticas. Desde então, a Dra. Vania acompanhou de perto a chegada de novos tratamentos e as mudanças na história natural da doença. “Hoje, depois de tantos avanços, estamos discutindo não apenas como prolongar a sobrevida ou controlar melhor a doença, mas a possibilidade de cura para alguns desses pacientes. Ter testemunhado e participado dessa transformação é, para mim, um dos maiores privilégios da minha vida profissional”, ressalta a hematologista. Caminhos feitos de encontros Se há algo que aproxima as histórias de ambas, são as pessoas que ajudaram a construí-las. Ao revisitar sua trajetória, a Dra. Maria Lúcia Lee coloca os encontros no centro dessa história. “Foi um caminho de pessoas. Foram elas que me proporcionaram as melhores experiências, os melhores momentos e que estiveram presentes durante as mudanças de rumos que vivi”, destaca. Entre os mentores que marcaram sua trajetória, ela cita os hematologistas Josefina Braga, Mihoko Yamamoto, José Kerbauy e Sílvia Brandalise. No GRAACC, a parceria com Elizabete Delbuono ajudou a tornar realidade o laboratório de hematologia do serviço. Foi também ali que ela pôde se dedicar ao ensino, uma de suas paixões, acompanhando a formação de novos profissionais e vendo esse conhecimento seguir adiante por outras mãos. A atuação em grupos cooperativos é outro capítulo importante do seu percurso. Em 1997, a convite do Dr. Luiz Fernando Lopes, participou da criação pioneira do Grupo Cooperativo Brasileiro de Síndromes Mielodisplásicas em Pediatria (GCB-SMD-PED), trabalho conjunto que permitiu ampliar o conhecimento sobre um grupo de doenças até então com poucos dados no país. Anos depois, em 2018, outro momento marcante ocorreu quando assumiu, a convite da Dra. Sílvia Brandalise, a coordenação do Grupo Cooperativo Brasileiro de Tratamento da Leucemia Linfoide Aguda Infantil (GBTLI LLA), projeto ao qual se dedica até hoje. A construção do novo GBTLI LLA permitiu à Dra. Maria Lúcia conhecer mais profundamente, ao lado das Dras. Mecneide Mendes Lins e Adriana Seber e do Dr. Raul Ribeiro, os desafios do tratamento da LLA infantil no Brasil. Perto dos 60 anos, um convite do Dr. Phillip Scheinberg abriu uma nova frente em sua carreira: criar e estruturar, com os Drs. Victor Zecchin e Fabrício Romagnol, o serviço de transplante de medula óssea pediátrico do BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. O mieloma como escolha A Dra. Vania também reconhece nos encontros que teve na vida um elemento decisivo do seu caminho. O Dr. Carlos Chiattone foi quem a apresentou à hematologia e despertou seu interesse pela especialidade. Já o Dr. José Carlos de Almeida Barros lhe deu o primeiro livro sobre mieloma múltiplo e quem abriu as portas para seus primeiros congressos internacionais onde ela iniciou seu contato com pesquisadores e com as discussões que movimentavam a hematologia fora do Brasil. “Depois vieram muitos outros professores, colegas, amigos e pesquisadores, que foram fundamentais nessa caminhada. Acredito que uma trajetória nunca é construída sozinha. Ela é resultado dos encontros que temos pelo caminho, das oportunidades que recebemos e também daquilo que conseguimos compartilhar e construir com os outros”, reflete. Ao longo dos anos, suas conexões também se transformaram em iniciativas de pesquisa e colaboração. Como fundadora do Grupo Brasileiro de Mieloma Múltiplo (GBRAM) e cofundadora do International Myeloma Foundation Latin America, a Dra. Vania ajudou a fortalecer redes de troca de conhecimento sobre a doença no Brasil e no exterior. “Minha maior conquista tem sido conectar esses pacientes a ensaios clínicos que lhes
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